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Cadeira 36 – Ataualpa A. P. Filho

Cadeira 36 – Ataualpa A. P. Filho | Patrono: Reynaldo Chaves

Biografia:

Ataualpa nasceu em Teresina, a 7 de junho de 1959, filho de Ataualpa Antônio Pereira e de Maria do Carmo Costa Pereira.
Como irmão mais velho, aceitou o compromisso de orientar os mais novos nos deveres de casa. Alguns vizinhos, observando o empenho do adolescente na vocação para o Magistério, também o procuravam. Foi o passo inicial da futura brilhante carreira de educador.
Em 1974, a vida do jovem mudou, como a de milhares de nordestinos: veio para o Rio de Janeiro para fazer o segundo grau, hoje Ensino Médio. Aprovado no Exame de Seleção do Colégio Pedro II, matriculou-se no turno da noite para poder trabalhar como office-boy de um laboratório de prótese e custear os seus estudos. E assim, com imensas dificuldades, mais tarde formou-se em Letras (licenciatura plena). É pós-graduado em Lingüística Aplicada ao Ensino de Língua Portuguesa e Especialização em Língua e Literatura Portuguesa. Possui curso de Aperfeiçoamento em Lingüística para Elaboração de Material Didático. Já lecionou nos seguintes educandários: Sociedade de Ensino Laranjeiras; Colégios Associados CPS; Colégio Pinheiro Guimarães; Escola Viva; Instituto Carlos A. Werneck; Colégio Bahiense; Educandário Professores Associados; ESA – Exame Sistema Educacional; Curso Hélio Alonso; Colégio Gaudium; Centro Educacional da Lagoa.

Atualmente, empresta seus conhecimentos às seguintes instituições: MPB-Vestibular, como professor e diretor; Centro de Estudo Supletivo de Petrópolis; Escola Ana Mohammed; Liceu Cordolino Ambrósio e ao Centro Educacional Maurício Barroso.
Mas o seu sonho como educador, diz ele, é “trabalhar em um projeto de alfabetização para jovens e adultos que não se restrinja à sala de aula, mas que tenha fundamentos sociais, capaz de consolidar uma consciência sociopolítica, contextualizada em uma atividade comunitária que possa despertar o senso crítico de cidadania íntegra, proporcionando aos alunos o discernimento necessário para que lutem pelos seus direitos, rompendo as barreiras das discriminações sociais”.
É autor dos livros: “Um vazio em um espaço de vida”; “O filho do Sol”; “Part-ida”; “Palavra-dor”, e “Amola-dor”.
Já residindo em Petrópolis, aceitou convite do padre José Carlos Medeiros Nunes (Padre Quinha), para escrever a história da Oficina de Jesus, que completou, em 2007, dez anos de existência. E, para tal desafio, tornou-se membro da Pastoral de Rua para melhor conhecer a realidade de pessoas que são acolhidas. A proposta é escrever um livro-verdade fundamentado nos depoimentos de irmãos em Cristo que tiveram uma reinserção social a partir do trabalho desenvolvido pela Oficina. O livro já está em fase de revisão.
Por influência da leitura da poesia de Paulo Leminski, atualmente estuda a composição poética japonesa denominada haicai (haiku), formada de três versos (5-7-5 sílabas métricas). Essa forma de composição tem como principal representante Matsuo Bashô (1644-1694).
Ataualpa é titular da Cadeira nº 3 da Academia Petropolitana de Educação e da Cadeira 36 da Academia Brasileira de Poesia – Casa de Raul de Leôni. E da Academia Petropolitana de Letras recebeu o “Prêmio Carauta de Souza”, por deliberação da Diretoria Acadêmica, pela publicação do Livro “Amola-dor”.
Colaborou com o jornal estudantil A Semente e com o Petrópolis Post. Na Tribuna de Petrópolis foi responsável pela “Coluna do Estudante” e pela página “Educação”, publicada pelo Diário de Petrópolis.

Trabalhos:

DA PALAVRA

O Verbo que se fez carne, por misericórdia, perdoou a ingratidão humana.
Em nenhum outro momento da minha vida tive tanta vontade de agradecer esse gesto de amor. Mas só vem à boca a palavra perdão quando vejo o Cristo crucificado.
Para suportar essa penitência, que é viver, queria poder traduzir a dor que tenho no peito em Poesia. Contudo só consigo pôr em verso o que vivo e, às vezes, o que sinto. O Amola-dor é fruto desse atrito: tempo-vida.
A Palavra é o fio entre Deus e o homem. O desa-fio é con-fiar na transformação do mundo sem armas, amando. O carinho e o verbo tocam a alma. O diálogo é o melhor caminho para se encontrar a Paz.
Só existe Poesia na palavra que acaricia a alma, sensibilizando-a para o re-encontro com o Eterno, pois de nenhuma outra forma é possível fazer alguém feliz. Não sou Poeta, nem me atrevo a tanto, conheço meus limites. Mas ouso ser um amolador, por isso afio a minha dor nesta pedra – Liberdade.

dePOimento

Declaro, para os devidos FINS, que:
Quero a Poesia concreta,
a concreta Poesia.
Quero a flor no concreto,
o concreto lírico.
Para simular, dissimular, assimilar e assumir a dor, fiz:
Amola-dor, Palavra-dor, Part-ida, O filho do Sol, Um vazio em um espaço de vida.
Talvez me torne um Carrega-dor…
A dor
simulada, dissimulada, assimilada e assumida,
não some, com-soME a minha alegria.
Mas não me rendo, não me vendo, vou vi-vendo:
– finjo, infrinjo; rio de mim.
(O meu estado se viu, o meu estado se vê,
Piauí ainda não estou pronto para morrer)
No meu ir,
leio, não para me distrair,
mas para me des-trair e ex-trair…
Leio, não para me entreter,
mas para me inter-ter e inteirar.
Leio alheio, ao léu.
Esse é um meio de voltar ao PÓ,
resistindo à decomPOsição do temPO

Do amolar

Sou piauiense, retirante. Do caminhar, veio a distância da terra, “Part-ida”…
Um dia, de tanto sonhar, achei-me “O filho do Sol”, depois de ter sentido “Um vazio em um espaço de vida”.
Quando percebi que não tinha talento para ser Poeta, contentei-me em ser um “Palavra-dor”. Mas por esmerilhar a palavra, tornei-me um “Amola-dor”.
Agora aqui estou, lapidando a vida, lapidando a dor como faca atritada em pedra. Porém o que me corta a carne sem ferir-me é a Poesia. Eu deixo sangrar, porque não se trata de hemorragia, mas do fluxo sangüíneo que movimenta o coração: não há Poesia sem vida nem vida sem Poesia.
Vivo da Poesia, para a Poesia e com a Poesia, por isso louvo os Poetas. Para mim, o maior Poeta é este que fez o poema Universo: Deus.