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Edith Marlene de Bastos

Biografia:

Petropolitana, Técnica em Contabilidade, poeta. Filha de João Rodrigues de Barros e Geralda Ferreira de Barros. Editou em 1997 ALINHAVOS, livro de poema. Venceu o Concurso de Poesia Farid Félix – 1987, da Academia Petropolitana de Letras. Figura em diversas antologias. Presidiu a Academia de Poesia Raul de Leoni (atual Academia Brasileira de Poesia) por dez anos (1993 a 2004) onde, com seu dinamismo conseguiu significativas conquistas. Foi responsável pela 1ª edição da Antologia da Academia Petropolitana de Poesia Raul de Leoni, embrião da atual Argila. Em 1999 montou uma magnifica exposição com o acervo do poeta Raul de Leoni (por quem é admiradora apaixonada), nas dependências da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, que obteve estrondoso sucesso.

Trabalhos:

Petrópolis, minha cidade

Talvez nunca tivesse te amado tanto!
Chegou o dia em que te descobri,
E foi como se te olhasse a primeira vez.
Amei teu céu azul de inverno
e a tua poeira de sol entre as árvores!
Amei tua Praça da Liberdade e o Lago do Cremerie.
Descobri as decantadas hortênsias
Brancas, azuis e lilases
que margeram tuas ruas de outrora!
Amei teu ruço, hálito branco,
de de acordar de motanha.
E senti teu cheiro de terra protetor e amigo.
Lembrei a Ponte de Ferro,
a Cachoeira da Bela Vista
e minha casa de chão de tijolos
com jardim na frente e fogão de lenha.
Me senti criança a brincar
debaixo da velha paineira,
que nem sei mais se existe.
Entrei na Catedral e seu silêncio
abrangeu o meu eu de antigamente.
Balancei nas folhas das tuas palmeiras
e das centenárias árvores.
Percorri teu Centro,
hoje tão mudado pelo progresso.
Olhei com carinho o Grupo Pedro II,
o Liceu Municipal, o Museu Imperial,
os chorões que enfeitam tuas praças…
e as recordações voltaram todas
a embalar a vida que já passa…

Vivência

Não levo em conta as horas de tristeza.
Sentir-me só não chega a ser transtorno,
se embalo mi nha vida na certeza
de que nada acontece sem retorno.
Se há cinza nas manhjãs, minha firmeza
me traz da claridade seu contorno.
A vida flui em si com tal clareza,
que sinto seu pulsar cosntante e morno.
Saber que tudo é vago, transitório,
perecendo à sombra da vaidade;
que pacientes tudo vamos transpor.
Compreender que o registro meritório
que levaremos para a eternidade,
é ter vivido, transmitindo amoir!…

Mundo Paralelo

Eu sou o teu outro lado.
Teu caminhar certo,
teu horizonte azulado
a perfeição instingível.
Sou tua estrada florida,
teu viver colorido,
tua fonte de inspiração.
Sou teu sorriso aberto,
teu carinho,
tua crença,
tua verdadee.
Sou o mar dos teus onhos.
a montanha dos teus desejos,
a flor que te enfeita a vida.
Sou o amor verdadeiro,
Ooembalar dos teus devaneios,
companheiro das tuas fantasias,
teu universo inteiro.
Quem sou eu?
– O mundo em que sonhas viver.

Evolução

Aprendi a bendizer meus dissabores,
Com coragem, reagi e fui à luta.
Com fé não sucumbi à tantas dores;
pareço frágil mas sou resoluta.

Aço e açúcar, minha composição.
minha bandeira é sempre da amizade,
procuro ao próximo estender a mão
trasnmitindo amor e simplicidade.

Agradecendo a Deus por cada dia
fe confiança Lhe depositando,
fortaleço-me na luz da oração.

E se a tristeza, às vezes, se anuncia
sei que tenho Seu amor me consolando,
pois é refúgio e toda proteção.

Vida

Essa vida é complicada
dificil de se entender.
É sempre a pessoa amada
que faz a gente sofrer!

Tristeza

Chuva miúda nos olhos da gente,
o céu interior em desalinho.
Pois ela que chegando de mansinho
se arraiga, qual liame, fortemente.

Riso bambo se desenha no rosto,
o coração batendo com lerdeza.
Há em tudo um toque de desgosto
matizado com tons de incerteza.

Pingam na alma saudosas reticências,
somatório de perdas e ausências
que colhemos ao longo da jornada.

É tristeza regendo a sinfonia,
nos acordes distantes da alegria
dos sonhos que bateram em revoada.

O despertador

Eu sóm queria saber
quem foi o inventor
do bicho despertador.
Êta objeto tacanho,
bisbilhoteiro do sonho
programador da rotina!
No bem-bom da madrugada,
naquele sono gostoso,
ele toca a alvorada.
A mão sonolenta e lerda
desarma o inimigo
e na voz estremunhada
um sonoro palavrão
bem nos acordes da rima.
Ele calado e feliz
Conseguiu o seu inento.
Parece até que debocha
da minha cara amassada
e do jeito sonolento
com que afasto o cobertor.
Pés no chão – é mais um dia.
Parto para o recomeço
onde me viro do avesso
pra fazer tudo no horário
nesse duelo diário
onde o tempo é ditador.
À noite apronto o inimigo,
já seguindo o ritual.
Sabendo que amanhã
será tudo, tudo iguial…