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Enid Maria Besteti

Biografia:

Nasceu em Descalvado – SP em 21 de setembro de 1923. Filha de José Besteti e Luiza B. Besteti. É casada com Cap. José Pires Corrêa. Tem 5 filhos. É professora aposentada do magistério paulista. Reside em Campinas – SP, desde 1960.

Associações culturais, as quais é filiada.

É membro efetivo da Academia Campineira de Letras e Artes, ocupando a cadeira n° 11, que tem como patrono Antonio Gonçalves Dias.
É membro efetivo do Centro de Poesia e Arte de Campinas (CPAC) do qual foi secretária e presidente.
É membro efetivo, fundador da Casa do Poeta, de Campinas – SP.
É membro efetivo, fundador da Federação Brasileira de Entidades Trovistas (FEBET).
Agregada à Associação Campineira de Imprensa (ACI).
Pertence à IWA – International Writers an Artists Association de Bluffton, USA.

Membro correspondente

1. Accademia Internazionale de Lettere, Scienza e Arti de Ragusa di Sicília – Itália.
2. Academia Brasileira de Poesia “Casa Raul de Leoni” – Petrópolis – RJ
3. Academia Eldoradense de Letras da Casa Francisca Júlia, de Eldorado – SP
4. Academia de Letras “Menotti Del Picchia” – Itapira – SP
5. Academia Ituana de Letras, de Itu – SP
6. Academia Anapolina de Filosofia, Ciências e Letras, de Anápolis – GO
7. Casa do Poeta de Amparo – SP
8. Abrarte Cultura Artística – Petrópolis – RJ
9. Academia de Letras da Mantiqueira ( Amparo, Arcadas, Águas de Lindóia, Itapira, Serra Negra).
10. Correspondente de 12 centros culturais de Uruguaiana – RS.

Obras Publicadas

1980 – Através da caminhada – Poesias (Editora Ativa) – Campinas – SP.
1987 – Congratulações – Poesias (Editora Cooperativa dos Cartunistas, Escritores e Poetas) – Campinas – SP.
1997 – Fagulhas Escolares (livro didático) Processo Artesanal – Campinas – SP.
1997 – “Chapeuzinho Verde e A Gota D’Água” – história infantil – Editora Komedi Ltda – Campinas – SP
1998 – Vi, Ouvi, Senti – Crônicas – Gráfica Painel Pelotense – Pelotas – RS
1998 – A Camisa Mágica – história juvenil – Editora Komedi Ltda. – Campinas – SP
1998 – Feliz Aniversário – Poesias – Editora Komedi Ltda – Campinas – SP
1998 – Colheita de Inverno – Poesias – Editora Komedi Ltda – Campinas – SP
1999 – Poemas, simplesmente – Poemas – Editora Komedi Ltda – Campinas – SP
1970 – Hino da EEPG “Arthur Segurado” – Campinas – SP (letra e música)
– Letra do Hino dos 21 Irmãos Amigos
– Hino do Centro de Poesia e Arte de Campinas (CPAC) (letra e música)
– Canção para São Paulo – letra e música

Participação em Obras Publicadas

1981 – Antologia – Poetas de Campinas – Gráfica Mousinho – Poesia – Campinas – SP
1979 – Coletânea Poética do Ano Internacional da Criança – Gráfica dos Funcionários Públicos do Estado de São Paulo – São Paulo – SP.
1982 – Anuário Poetas do Brasil – Folha Carioca Editora Ltda – Rio de Janeiro – RJ
1984 – Antologia Várias “Mosaicos” (Editora Mousinho) – Campinas – SP
1985 – Antologia Poética das Cidades Brasileiras – Shogun Editora – Rio de Janeiro
1985 – Coletânea Poesia Ituana – Editora Expressão – Itu – SP
1985 – International Poetry – University of Colorado – Library of Congress – USA
1986 – Brasil Trovador – Editora Codpoe – Rio de Janeiro – RJ
1986 – Andanças Poéticas 2 – Editora Pirilampo – Petrópolis – RJ
1988 – Coletânea – CPAC – Editora Palavra Muda – Campinas – SP
1989 – Revista “ O Mês” – Editora 30 dias Ltda – Campinas – SP
1989 – “Momentos” – Folhetos Poéticos da Casa do Poeta – Camnpinas – SP
1993 – Florada Poética – Coletânea do CPAC – Campinas – SP
1994 – Seara Poética – Coletânea do CPAC – Campinas – SP
1991 – Quinhentos Sonetos – Coletânea por Arly G. Ribeiro – Campinas – SP
1995 – Ciranda de Versos – Coletânea – Editora Komedi Ltda – Campinas – SP
1995 – Viagem da Alma – Coletânea Centro Cultural Campinas – Campinas – SP
1996 – Mescla Literária – Coletânea do CPAC – Editora Komedi Ltda – Campinas – SP
1996 – Argila – Coletânea – Academia Petropolitana de Poesia “Raul de Leoni” – Petrópolis – RJ
1997 – Caminhando com a Poesia – Coletânea CPAC – Editora Komedi – Campinas – SP
1998 – 21 anos de Poesia e Prosa – Coletânea CPAC – Editora Komedi – Campinas – SP
1999 – Versos Diversos – CPAC – Editora Komedi – Campinas – SP
Academia Campineira de Letras e Artes – Revistas Anuais de 1989 até 2007
1994 – Dicionário Poético de Arly Gomes Ribeiro – Campinas – SP
1994 – Directory of International Writers of Artists – Bluffton College – Copy Registration Library of Congress – USA
1999 – 3°Prêmio Missões – Igaçaba Produções Culturais – Roque Gonzáles – RS
2000 – Devaneios – Coletânea do CPAC – Campinas – SP
2001 – Estro – Coletânea do CPAC – Campinas – SP
2002 – Kronos – Coletânea do CPAC – Campinas – SP
2003 – Revista da ABP “Raul de Leoni” – Petrópolis – RJ
2003 – A voz da inspiração – Coletânea – Casa do Poeta – Campinas – SP
2003 – Revista da ACLA – Coletânea – Campinas – SP

Participações em revistas e jornais

Jornal “Correio Popular” – Campinas – SP
Jornal “Diário do Povo” – Campinas – SP
Jornal “ Jornal de Domingo” – Campinas – SP
Revista “Nosso Cantinho” – Campinas – SP
Jornal “ A Federação” – Itu – SP
Jornal “ O Comércio” – Itu – SP
Jornal “ República de Itu” – Itu – SP
Jornal “ Periscópio” – Itu – SP
Jornal Escolar “ A Infância” – Itu – SP
Revista “ O Mês” – Campinas – SP
Jornal “O Santarritense” – Santa Rita do Passa Quatro – SP
Folhetos Poéticos – “Momentos” – Campinas – SP
Folhetos Poéticos – “O Clipe” – Pelotas – RS

Premiações

1954 – Medalha IV Centenário da cidade de São Paulo – Alfabetização – Secretaria da Educação do Estado de São Paulo
1982 – Medalha Gustavo Teixeira – Concurso de Poesia – São Pedro – SP
1982 – Diploma e troféu pela participação no concurso – Hino da Cidade de Itu – pelo Conselho Municipal de Cultura – Câmara dos Vereadores – Itu – SP
1982 – Diploma da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras N. Sra. do Patrocínio, pelo poema apresentado na festa de gala do encerramento do Conselho Amplo Internacional
1983 – Troféu e Diploma – Círculo Militar Campinas (Concurso Poesia) – Campinas – SP
1985 – Troféu e Prêmio “20 Anos Periscópio” – Concurso de Poesia – Itu – SP
1989 – Diploma Honra ao Mérito da Associação Campineira de Imprensa – Campinas – SP
1990 – Troféu Gaplan do Jubileu de Prata “Periscópio” – Concurso de Poesia – Itu – SP
1993 – Troféu Academia Ituana de Letras – Concurso de Poesia – Itu – SP
1995 – Diploma do CírculoMilitar de Campinas “Mulher Símbolo” – Campinas – SP
1995 – Certificado da Secretaria Municipal de Cultura pela palestra proferida sobre a Vida e Obra de Gonçalves Dias – Campinas – SP
1996 – Certificado e Prêmio “Concurso de Poesia: Semana Guilherme de Almeida” – Círculo Militar de Campinas – Campinas – SP
2000 – Medalha Carlos Gomes – Câmara Municipal de Campinas – Campinas – SP
Homenagem recebida pelos serviços prestados ao Centro de Poesia e Artes de Campinas através de uma Placa de Prata e apresentação do Hino do CPAC pelo Coral Pio XI.

Trabalhos

Cálice de fel

Meu coração é um cálice angustiante,
transbordando de lágrimas sentidas
recolhidas, aqui, ou lá, distante
dos olhos tristes de almas, tão sofridas!

Tem lágrima acérrima, suplicante
de crianças carentes decaídas.
Tem o pranto dorido, tão humilhante
de velhos, com forças, já, vencidas.

Tem lágrimas geradas, do temor.
Tem outras, dos que sofrem, por amor,
ou da dor de uma atroz ingratidão.

De tanta renitência, na amargura
ao ver tanta injustiça e desventura,
já, se parte o meu velho coração.

Chuva no morro

Quando descamba o sol, lá, no poente,
traz aos olhos, daquele povo ingente,
um iriado céu do entardecer.
Ingurgitanto essa policromia,
a noite faz do morro, uma poesia,
com a voz do violão, a enternecer.

Fantasmagórico, um mundo de sonho,
vai gretando as barreiras do medonho
e da ventura, faz-se genetriz.
O som de uma canção dolente e bela,
que grassa pelo morro da favela,
leva, a todos, o instante do feliz.

O sofrer desse povo é, então, fugiente,
como se seu retorno, novamente,
estivesse, no campo do finito.
Sem pensar na graveza do amanhã,
vai convertendo o cansaço do afã,
nessas canções, que à noite, ali, são rito.

De novo, na manhã ensolarada,
entre as pedras do morro, desce a estrada
aquela pobre gente, sem guarida.
Mesmo a fome a afligindo, tem alento,
pois não pensa deixar, nem por momento,
a tapera, tão humile e querida!

Mas um dia, a chuva calamitosa
chega ao morro, persistente, impiedosa,
lavando-lhe, frenética, as ladeiras
e na sua descida, tão inclemente,
leva tudo: pedras, barracos, gente,
quais doidas e barrentas cachoeiras.

Bem triste, chora o morro irredento,
sob a ação destrutiva, de água e vento,
em integral e invita desventura,
porque entes queridos, infortunados:
– uns pobres miseráveis favelados
têm, ali, uma aviltante sepultura.
É omissa e irremissível a opulência;
não sente alor, para ofertar decência
à vida dessa gente, tão precária.
Todavia, é ali mesmo, na favela,
que então floreja uma atitude bela:
– a mão do pobre, terna e solidária!

Meu pai

Em uma floresta espessa e sombria
um tenro arbusto, tímido nasceu,
junto ao forte carvalho que se erguia
majestoso, imponente, como um deus.

Quando o vento rugia, fortemente,
conivente com drástica procela,
arriando fortes galhos, brutalmente,
destruindo, então, a ramagem basta e bela,

o temeroso arbusto se encolhia,
buscando, no carvalho, a proteção.
Confiante, na guarida, resistia;
retornava à bonança, inteiro e são.

A fronde do carvalho desbordando,
no verão, era o pálio, que o abrigava.
Na primavera ia o arbusto se ufanando,
da sua ramagem, flórea, que ostentava.

Mas um dia, a mão nefasta, impiedosa,
destrutiva, orgulhosa do poder,
veio a golpes de machado, furiosa,
o carvalho gigantesco abater.

Aí, o pequeno arbusto, então, chorou.
Choraram desvairados passarinhos,
pelo sádico gesto, que matou
os filhotes, nos derribados ninhos.

Vive, hoje, lamentando o triste arbusto,
exposto às intempéries, à má sorte.
Aguarda, desolado, sempre, em susto,
o rijo golpe lúgubre da morte.

Também, eu conheci forte carvalho,
que desde que nasci guiou meus passos,
um pai, que foi p’ra mim, teto, agasalho
que fluiu muita ternura, em seus abraços.

Foi ele ao mesmo tempo pai, amigo;
Foi a mãe, que tão cedo, Deus levou.
Nos meus acres momentos, foi o abrigo
este anjo-pai, que o pranto me enxugou.

Camuflando o amargor, que o abatia,
após partir a amada companheira,
uma grande afeição, a mim volvia,
até sua trágica hora, derradeira.

Perdido nos atalhos do caminho
desta vida, onde há o viço da descrença,
eu sigo amargurado e tão sozinho
sem ter, mesmo, esta fé, que um vença,

o vazio, do qual estou impregnado.
Dele, somente, forte, um grito sai,
nos páramos celestes, ecoado.
Este grito alucinado é Meu Pai!

Ele, meu forte carvalho abençoado
hoje, não mais atende o apelo meu.
Na floresta da vida, angustiado,
aquele tenro arbusto, hoje, sou eu!

O nascimento de Campinas

Lá vai o bandeirante, em busca do sertão
rasgando a imensidão das matas virginais
O subsolo rico é o seu potente alor,
pois vai, com destemor às minas dos metais

É árdua a caminhada e já se sente lasso.
Procura um espaço lene. Ali descansa,
envolto pelos campos. Logo adormentado
já sonha deslumbrado. O chão verde-esperança

com a sutil aragem e a fertilidade
é a meta, na verdade, à relação jugal
Com muito amor desperta e envolve em terno abraço
todo o esplendor do espaço e a terra jovial

Flexuando, põe, na leira, o beijo ardente
que é a fecunda semente, o gene de Sua Alteza
Desta flamante união eclode uma cidade
que é só felicidade e és tu, linda “Princesa”