Cadeira 33 – Angelo Romero

Cadeira 33 – Angelo Romero | Patrono: Nestor Pimentel

Biografia:

Principais cargos/funções exercidos

A – Na Área da Administração Pública

1. Secretaria Municipal de Fazenda do Rio de Janeiro: redator e responsável pelo gerenciamento das multas e dos editais de interdição. Período de 1958 a 1988.
2. Cedido à Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro, Rádio Roquette Pinto: idealização, produção e apresentação do Programa “O Nome, uma Vida”, no período 1985/1987.
Observação: o programa liderou a audiência da Rádio na maior parte do tempo em que ficou no ar.
3. Nos 5 anos complementares à aposentadoria (de 1988 a 1992), exerceu a função de Assessor Cultural do Governo, colaborando diretamente com o Projeto Cidadania nos bairros, projeto este que atendia a população carente dos bairros do Rio, uma vez a cada mês, levando atendimentos médico/dentário e providenciava a retirada de documentos. Responsável por toda parte artístico-musical.

B – Na Área Privada

1. Gerente Administrativo e de Criação. “Avant Premiere Modas”, pequena fábrica de confecções de roupas, no Bairro da Saúde. Período de 1970 a 1972.
2. Idealizador, produtor e Diretor do Jornal “O Jacaré”, embrião de um projeto empresarial (Jornais dos Bairros).
Observação: O Jornal cobria todo o populoso Bairro do Jacaré, na Cidade do Rio de Janeiro. Tempos mais tarde, coincidência ou não, o Jornal O GLOBO lançou o seu “Jornal dos Bairros”.
3. Administrador Geral do Sampaio Atlético Clube, no período de 1984 a 1985.
Observação: O Clube estava completamente falido. Através de uma série de reformas – estatutárias, institucionais, administrativas e gerenciais, e, sobretudo, em função da dinamização dos departa-mentos Social e Desportivo, em 1985 o Clube já tinha pagado todas suas dívidas e apresentava em seu caixa um saudável saldo positivo.
4. Gerente de Produção da Fábrica Tanger. De automóveis. Período de 1986 a 1987. Ao iniciar sua função, a Tanger produzia 16 veículos/mês, ao sair deixou a produção em 130/mês.

III – Formação Acadêmico-Profissional
Em 1981, diplomou-se em Fisioterapia, tendo exercido essa profissão, sempre acumulati-vamente com atividades administrativas e/ou artísticas, durante dois anos.

IV – Atividades Artísticas & Experiência Profissional

1. Em 1954 fundou o Grupo Teatral Amigo das Artes (escreveu, dirigiu e atuou).
2. Em 1960 criou o conjunto The Lord´s (mímica-dublagem). Por 2 anos consecutivos o Conjunto foi eleito o melhor do ano em sua categoria, pelo programa “Hoje é dia de Rock” da Rádio Mayrink Veiga. Excursionou com sucesso pelas principais capitais do país, exibindo-se em emissoras de TV e de Rádio, Clubes e Casas Noturnas.
3. Estreou em teatro profissional em S.Paulo, em 1964, como ator-atração da peça “Larga Brasa” para a Cia. Silva Filho.
4. Ainda em 64, para a mesma Companhia e no mesmo teatro, estreou como autor da peça “Cassação de Mulheres”.
5. De 1973 a 1974, foi administrador artístico da Cia. Teatral Colé/Silva Filho com temporada no Teatro Carlos Gomes, no Rio. Nesse período, além da função de administrador, exerceu as funções de co-autor, ator, ensaiador e músico (bateria); tendo ainda escrito, dirigido e apresentado as peças – “Só na Coluna do Meio” e “De Costa a Coisa Vai”.
Na década de 80, foi assistente de produção da novela “Tempo de Viver” (TV Tupi) do programa Moacir Franco Show e teve participação como ator nas novelas globais: “O Casarão” e “Locomotivas”. Ainda nessa década, foi co-autor, apresentador e entrevistador do programa radiofônico “Capital Bom Dia”, para a Rádio Capital e dublador de alguns filmes para a televisão.
6. Em 1990 criou a empresa ARTENATIVA Produções Artísticas Ltda., com escritório na Cinelândia – Rio Janeiro, tendo como objetivos principais a montagem de espetáculos musicais e teatrais, e revelação de talentos.
7. Ao se aposentar em 1991, reinaugurou uma boate em Petrópolis e a ela deu o nome de “Steel Power”. Seis meses depois, ao lado da boate, inaugurou o bar performático “Kansas City”.
8. Em 2003 inaugurou, nos fundos de sua residência, o Centro Cultural e o Teatro Abelardo Romero. Para ele já tendo escrito, dirigido e apresentado, até a presente data, as peças “Coroação de Miss Coroa”, “Teatro em Gotas e o Herdeiro”.
9. Em fevereiro de 2007 lançou o “Boletim Cultural Carlito´s News” com distribuição dirigida aos associados do Centro Cultural.
10. Em 2007 recebeu o prêmio especial do júri por texto e direção da cena “O Chá das Amigas”, para a 5a. Mostra Minimalista de Teatro de Petrópolis.

V – Obras Literárias de sua Autoria

1. “Tempo Atrasado”, “Verso & Reverso” e “Desencontro Pontual” (poesias)
2. “Da Cama à Fama” (romance)
3. “ Alma de Papel” (romance)
4. “A 8ª. Dama de Espada” (romance)
5. “Um Amor em Braile” (romance)
6. “A Bota e o Coturno” (romance)
7. “A Pedra Encantada” – (infanto-juvenil)
8. “Teatro em Gotas” – (Curso de Teatro)

VI – Viagens internacionais (pesquisa para os livros):
Argentina, Uruguai, Paraguai, e USA.

Trabalhos:

A BOTA E O CORTURNO

“Uma nuvem imensa se deslocou. A lua abandonou o prato de alumínio. Carlo Butti, com um forte agudo atingiu a nota mais alta, o balanço rangeu e uma aragem noturna arrepiou a pele das faces irmanadas. A corrente elétrica alterou o cenário como uma força cósmica seria capaz de sacudir o planeta. O vilho tingiu blusa e jaqueta. Enquanto a garrafa vazia rolava sem direção, dois corpos rolavam pelo assoalho da varanda. Carlo Butti silenciou, mas o balanço gemeu com o vento, o assoalho com o peso dos corpos e os amantes com a energia do amor.”

ALMA DE PAPEL

“Assim como “da Conceição”, “das Dores”, “das Graças” e “de Lourdes”, eu também sou Maria. Maria Aparecida, precisamente, porque nasci no dia da santa. Sou nordestina. No nordeste existem muitas Marias. Podemos não saber lutar contra a fome, contra a seca, a miséria e as injustiças sociais como deveríamos mas, em matéria de fé, somos imbatíveis. O nordeste precisa de muitas Marias. Se possível, virgens: de preferência, santas.
Maria Aparecida dos Santos Silva, é meu nome completo. Sobrenome tão simples e comuns quanto meus pais. Sou filha mais velha dos sete filhos que eles puseram no mundo. No nordeste, principalmente nas regiões do agreste, as famílias costumam ser muito numerosas. Se não há como semear a terra árida pela falta de chuva, semeiam-se úteros. Às vezes, entre uma boa chuva e outra, dá para se fazer sete filhos. Portanto, somos os filhos da estiagem. Por esta e outras razões, o que mais cresce na região é barriga. Quando não é por filho, é por verminose.”