Amélia Luz

Sócia Correspondente 1149
Pirapetinga – MG – Brasil

Biografia:

Amélia Luz – Amélia Marcionila Raposo da Luz nasceu em Pirapetinga, Zona da Mata, Minas Gerais. Escreve poemas, trovas, crônicas e contos, com premiações em todas as categorias. É formada em Pedagogia, Administração Escolar e Magistério, Orientação Educacional, Comunicação e Expressão em Língua Portuguesa, Pós-graduada em Planejamento Educacional e Psicopedagogia na Escola.
Conquistou várias premiações, participando de concursos literários no Brasil e exterior com publicações em diversas antologias. Tem um livro de poesias publicado, “Pousos e Decolagens” e outros em construção.
É membro efetivo da APLAC – Academia Paduana de Letras, Artes e Ciências – Santo Antônio de Pádua/RJ, Membro Correspondente da Academia Rio – Cidade Maravilhosa – Rio de Janeiro, Membro Correspondente da ACL – Academia Cachoeirense de Letras, Cachoeiro de Itapemirim, Espírito Santo, Membro Correspondente da Academia de Letras Brasil-Mariana, Mariana/MG, Decana e Delegada do Clube dos Escritores de Piracicaba, São Paulo, Delegada em Pirapetinga da UBT – União Brasileira dos Trovadores e Membro da Fundação Cultural Del’Secchi, Vassouras, Rio de Janeiro.
Trabalha a palavra todos os dias na sua oficina de versos. Ama a vida e a liberdade. Gosta de expressar seus sentimentos no texto que constrói como parte de si mesma. Garimpa a palavra no baú de Camões… Toca a flauta mágica e sai por aí ao lado dos saltimbancos, espalhando versos, acreditando sempre no amanhã.
Depois? Morrer sim, mas eternizando a essência, embriagada pela água sagrada da poesia, na palavra que ficou: vida!

Trabalhos:

A orquídea e o jardim

Pseudônimo……………………….

Perene fascínio
Flor-criança…
No azul da serra, entre ramagens,
Tímida ao agarrar-se ao tronco!
Respiras o sol, a beleza,
E a canção da natureza.
Parasita? Tu e a árvore?
Simbiose, troca, união perfeita…
Da árvore, a seiva, a vida,
Para todos os teus matizes…
Rumoreja o vento atrevido
Vem cortejar-te apaixonado
Despertando-te na manhã do dia!
Então, tu te retrais, enrubescida.
Acanhada, mostras tuas cores,
Nas asas multicores
Da luz da primavera.
Meu olhar prisioneiro
Através da vidraça
Aprecia teu esplendor, tua graça,
Num deslumbramento que não passa…
Jardim natural da minha infância
Onde meus pés descalços
Pisavam os galhos secos
E as folhas mortas estendidas,
Em tapetes, pelo chão!
Amava as orquídeas da serra
As orquídeas do meu jardim,
Ainda tão presentes em mim,
Apesar da neve traiçoeira
Que hoje, me cobre os cabelos!

A terceira mão

Pseudônimo…Capitu…………..

A terceira mão, é a da inclusão,
É a mão da vida! Aquela que agarra
A oportunidade na hora preferida!
É a que dá as cartas, bate o curinga
Enfrenta o desafio, supera o fracasso
Arranca o espinho, cumpre o dever
Ao ter a impressão digital
Que identifica o ser ou não ser…
A terceira mão é a mão do perdão,
É a que consola, a que afaga,
A que apaga a dor do amor perdido
Na hora amarga da solidão!
É a que dá de beber, a que estende a esmola,
A que vai embora e a que dá o último adeus…
É aquela que firme, segura as rédeas,
Do cavalo a galope do destino, na noite escura!
É a mão que, sensível, procura o corpo frágil,
Da mulher-amante, e sai de braços dados,
No dia dos namorados
Na passarela dos invisíveis.
É a que fecha as cortinas,
A que despetala em silêncio a rosa do amor
Na hora plena do encontro dos apaixonados…
É a mão benta do menino que escreve o poema
Na luz rara da manhã ensolarada…
É a mão da liberdade que abre a mala dos segredos
E deixa sair o último pássaro prisioneiro,
Em vôo livre, passageiro!

Amizade

Pseudônimo………………………………………………………………..

Estende a mão
Aperta bem forte
Mãos brancas ou negras,
Não importa!
Prepara o peito
Para o laço
Ajeita o abraço
Com muita emoção…
Aquece o coração
Abre a alma sensível
Aceita o teu irmão!
Prepara a tua fala
Prende com o teu discurso
Mas também, ouve e cala…
Acolhe quem tem sede
De sentimentos parceiros…
Ilumina teu rosto
Na mágica do teu riso,
Conquista a amizade
Daqueles que lado a lado
Peregrinam contigo.
Vive então em plenitude,
“Ama o teu próximo!”
Desarma o mundo confuso,
No apoio, na ternura, na compreensão.
Dá pois, a quem te procura,
A essência maior da tua sinceridade.

Amazônia

Amélia Luz

O tropel do homem assustou a floresta!
A ambição cruel campeou pela mata fazendo dela
O túmulo da terra-mãe!
O poeta gritou em trovão por Tupã
Que na sua ira de deus,
Incendiou com um relâmpago
Os olhos cegos que dormiam…
Quero borboletas coloridas
Vitória-régia, muito verde, muita vida,
E o canto do uirapuru ao som dos igarapés…
Quero ver salva e protegida
A Amazônia querida, patrimônio universal,
Útero da natureza, com toda a sua riqueza!
Relíquia ameaçada pelas serras sanguinárias
Que se embriagam de seiva pura,
Ao gemido de árvores milenárias…
Vejo neste santuário sagrado
A agonia ambiental de um planeta doente
Vítima da violência do desmatamento galopante.
Soluço um pranto rouco
Clamando pela preservação!
Pindorama? Terra das palmeiras?
E o vento ainda sopra assanhando a folhagem
Das sobreviventes açaís, muritis, andirobas,
Mucubeiras castanheiras e seringueiras, sem iguais,
Dos jaborandis, dos babaçus e tantas outras mais…
Ao homem louco do meu tempo
Deixo escrito um manifesto.
Que lute com peito aberto, como protesto,
Antes que seja tarde e tudo se perca!

Ammmélia

Pseudônimo: Capitu

Nome montanhoso,
Parece murmúrio,
Ammmélia, m,m,m…
Montes erguidos,
Elevações, alturas, morada das águias!
No cume não há ódio,
Nem agressões, nem espadas…
Há paz e silêncio,
E a mão direita, perfeita,
Semeia versos nas estrelas!

Amor de infância

Pseudônimo…………………………………………….

O amor de infância é diferente
É solto e prende a gente!
É feiticeiro, traiçoeiro,
Faz-nos tocaia e nos tomba em emboscada!
O amor de infância é flecha lançada,
Pungindo o fundo do peito e desse jeito
Sangrando vida afora,
Ontem, hoje, agora!
O amor de infância é tão inocente,
Brincando de cabra-cega, nos pega,
Tomando corpo e mente…
No redemoinho das velhas emoções
Com chegadas e partidas
Domina-nos por toda a vida!
É festa preparada com ardor
Cheia de alegria e de cor!
É canção cantarolada a dois
Vivida a cada momento, sem depois.
É sentimento repartido
Num caminho estreito, seguido,
Onde perfeito encontro teu rosto!
O menino que ainda me ama
O menino que não cresceu
Aquele que acendeu a mesma chama
A me dar taquicardia todo dia!
Na noite escura não me sinto sozinha
Tua mão mansinha acaricia-me os segredos…
Assim, não tenho medo, parto contigo,
Alcançando o distante, o infinito…
O amor de infância tem gosto de fruta madura
Escondida no côncavo da mão, para então,
Entre nós, ser dividida sem sobrar pedaço,
Saboreada no mesmo laço, passo a passo…
Amor de infância não tem idade
É brandura e saudade, é mal sem cura,
É minuto e eternidade, é não e é sim,
É dor e alívio, ao mesmo tempo, sem ter fim!
É coisa que nunca se esquece…Estremece…
Assusta e enlouquece!

Arestas

Pseudônimo: Capitu

Pedi a Deus olhos que me olhassem
No fundo da alma e que lessem
A minha fragilidade humana…
Pedi braços que me abraçassem
E me agasalhassem com ternura…
Pedi presença, calor, amor, aproximação!
Queria sair do só e celebrar o nós!
Nascemos para sermos felizes
Para vivermos a alegria do partilhar
Nesta vida de tantas contradições.
Sou mesmo uma sexagenária sortuda!
Para driblar as lanças do tempo
Ganhei um computador última geração,
Que me tira com leveza do chão
E me leva nas asas da “net”,
A longas e inimagináveis distâncias…
Não tenho aqueles olhos que pedi a Deus
Mas me contento com essa tela acesa,
Aqui, à minha frente, com várias opções,
Motivando o meu desejo de ver coisas novas!
Não ganhei os braços que pedi
Mas ganhei um punhado de “amigos” sem rosto
Com quem faço contatos trocando mensagens,
Construindo pontes, acendendo lâmpadas,
Expressando a vida em palavras e imagens,
Valorizando a linguagem, a comunicação!
Sou uma destemida ariana no mapa do zodíaco,
E iluminada por Marte, não quero ser geleira!
Quero aquecer e ser aquecida,
Como brasa ardente, quero ser luz, centelha!
Olho de novo a tela do computador
Ela me interroga a intimidade…
Lembro da velha Remington esquecida,
Do antigo computador dispensado.
Serei também assim, cruelmente descartada?
A vida passou! É a sentença verdadeira!
Quero redescobrir dentro de mim
A menina alegre que os anos engoliram,
Com a sua goela voraz, tão temida!
Quero vingar de todos os meus marços perversos
Acreditando ainda na esperança do amanhã…
Estou presa à vida por um fio podre de algodão
Que a qualquer momento poderá se romper,
Deixando minha praça de guerra vazia…
Arrematarei, com o silêncio dos abnegados!

Bicho mireiro

Pseudônimo……..Capitu…..

Mineiro é bicho manso,
Domesticado, bicho de paz.
Depois de um dedo de prosa
Aquieta, acalma o tom da voz,
Cofia pensativo o bigode,
Contando causos e se satisfaz!
Sossegado, pausado,
Fica alegre,espicha a conversa,
Sem muita pressa,
Buscando argumentos distantes
Para a seqüência exata da história.
Mineiro é bicho manso,
Bicho de muita paz,
Prudente, segue adiante, confiante,
Sem ganância ou maldade,
Apostando sempre na sua lealdade…
Marca a sua vida, curiosamente,
Pela sua aguçada astúcia,
Desconfiado e temeroso,
Ao lidar com o desconhecido.
Preso pelas montanhas,
Misteriosas de Minas,
Garimpa ouro e acha a liberdade
No gene hereditário dos inconfidentes.
Conquista a quietude natural
No exercício costumeiro da observação.
Mineiro é bicho manso, bicho de paz,
Fala em silêncio com o olhar
Descobre minúcias com o coração
Sem nunca deixar se enganar.
É um fingidor dissimulado,
É um poeta inspirado,
É sobretudo, humilde e corajoso,
Dono das suas próprias convicções…
Na verdade, o mineiro, é como Drummond,
Espia por cima das montanhas…

Modalidade: Lírica

CICLO

E quando tudo se for
E quando tudo se perder
E quando o corpo murchar
E o desejo morrer
Quando a carne envelhecida
Não gritar, nem gemer,
Na senil insensibilidade,
Mesmo assim haverá você!
No embaço dos olhos tão vividos
Haverá cansaço (indagação)!
Nas entranhas do corpo
Lembranças fortes,
Saudade fomentando saudade,
Sonhos transformados em pesadelo!
E quando tudo se for,
E quando tudo se perder,
“não receio andar entre escolhos”,
Haverá você na outra margem…
Se trôpegos ou derrotados,
Nada mais importa na vida,
Haverá sempre a poesia,,
No chegada e na partida
A bater-nos na porta!
Ciclo da vida inexplicável…
Um amparando o outro rumo afora
No caminho lento e nebuloso
Que nos levará a eternidade!

Pseudônimo………………………………….

Dias comuns

Pseudônimo: CAPITU

Acordar, espreguiçar,
olhar o sol despontar…
Calçar os velhos chinelos
sentir o conforto
das roupas surradas,
tomar o café em família
ler o jornal no sofá…
Depois ir até o jardim
aspirar o cheiro da terra
colher uma rosa amarela
apreciar a sua formosura
pétala por pétala…
Arrumar a gaveta do armário
descobrir um velho livro guardado
reencontrar um passado
viajar nas suas páginas emocionantes
a tempos distantes…
Sentir o aroma do refogado
que vem da casa vizinha
provocando o apetite.
Ir até o alpendre
olhar a rua, os transeuntes,
a chuva fina que cai!
Perceber a harmonia dos dias comuns
sem nada especial a se fazer.
A vida correndo tranqüila
cada coisa empilhada em seu lugar
cuidadosamente…
Esperar o carteiro que vem
trazendo notícias de alguém.
Festejar com alegria a beleza daquele dia
lembrando que seríamos ingratos
se reclamássemos da mesmice
que encontramos sempre nos repetidos
e adoráveis dias comuns!
Tédio? Quem é poeta,
não tem!!!

E por falar em Maria

Pseudônimo: Capitu

Maria Rosa
Maria prosa
Maria fogosa
Maria manhosa
Maria Flor.
Maria do fogo
Maria do jogo
Maria do gozo
Do corpo dengoso,
Tocha viva de amor…
Maria mania
Maria da vida
Maria bandida
Maria da lama
Maria da cama
Maria assanhada
Maria mascarada
Do pandeiro e tamborim,
Sem saber do seu fim…
No Bloco dos Sujos
Sambando, gingando,
Alegria! Alegria!
Tudo é fantasia
Tudo é carnaval!
Maria do choro
Do gole, da fome,
Maria sem nome
Cansada, apagada,
Andando sem rumo
Ardendo em ressaca.
Maria das Cinzas,
De tantas tristezas…
A folia acabou
E você não se tocou
Que o seu nome Maria,
É nome divino
É nome de graça
De santa pureza
De tanta riqueza
De virgem e altar!

Escolha

Pseudônimo: CAPITU

Escolho o riso e o choro
o palhaço, o palco
o começo, a partida
pedaços da vida…
Escolho o enredo
o tempo e o corte
o romance e o recorte…
Escolho o fio, o rio e o estio,
sentindo a chuva miúda no telhado!
Escolho a vila, a casa, a mesa posta,
a toalha xadrez, o vinho tinto
a compota, a sobremesa…
Escolho o começo e o endereço,
o ombro e a cruz, a treva e a luz…
Escolho o corpo, o beijo, a boca,
as mãos que me tocam e escravizam…
Escolho a hora e a demora,
e o desejo de prender a vida
na garrafa de vidro,
e rir-me dela, segura pela rolha,
e pelos meus dedos fortes…
O pêndulo do relógio parado
sem o poder de me levar inteira
a cada minuto traiçoeiro!
Escolho a vitrola, a canção antiga,
a imagem perdida
o salão de baile, a saia rodada,
e o primeiro namorado!
Escolho o alvo e a flecha
o fogo e a cinza, o sangue e o pecado,
o mistério e o abismo,
a terra, o sal e a verdade final…
E os cinco dedos da minha mão direita,
abrem-se em leque suplicando
o livro de contos dourados
onde me escondo e me sinto livre!
O conto começa
quando a vida morre…
Esvaem-se as faces da menina
dentro da mulher feita que amadurece!

Ecos da noite

Pseudônimo………………………………………………………………..

Eu pensei
Naquele instante
De suave ternura
De oração e meditação
Que Ele era comigo
E eu era com Ele…
Permaneci assim
E envolvida me senti
Pelo torpor sensível
Da presença Dele.
Dobrei meus joelhos,
Humilde derramei a alma
E senti tocar o céu…
Sim, eu tinha certeza,
Aquela paz que me tomou
Era a paz divina
Era a paz esperança
Era a paz da vida…
Diante do trono
Eu divulguei a luz
E recebi a bênção da fé!
Entoei de súbito
Meu cântico alviçareiro,
Ecos da noite misteriosa…
Hozana nas alturas1
Era manifestada a glória
Que descia do Senhor…

Língua lusa

Pseudônimo:……………………………………..

Minha língua lusa é um laço,
É um traço, é o meu espaço!
Esdrúxula, confusa, pessoal,
Abusa das palavras
Num mesmo ritual
Lambendo a poesia
No sabor sublime do ofício,
Dia após dia!…
Minha sina, minha musa,
Herança do meu Portugal,
Ortográfica ou gramatical…
Erudita, culta, acadêmica,
Polêmica ou irreverente,
Luz que brota livre na nossa boca
Sedenta de versos…
Popular, simples, corriqueira,
Língua de muitos “falares”,
Língua dos sete mares,
Atravessando os oceanos
Na força dos ventos,
Seguindo o caminho mágico
Das ousadas caravelas portuguesas…
Identidade cultural do baú de Camões,
Com heranças ibéricas próprias e definidas,
Trânsito poético da linguagem que liberta.
Temos nossas raízes próprias
Ao partilhar a palavra viva
Saída do ovário da “última flor do Lácio”,
Brotada em terras brasileiras…
Resmungo o âmago da minha latinidade,
Afinal, quem sou, quem somos?
Eu sou, nós somos: cidadãos Portugueses,
Brasileiros, Angolanos, Moçambicanos
Caboverdianos, Guineeenses, Goeses,
Macaenses, Sãotomenses ou Timorenses…
NÓS SOMOS SOBRETUDO
A LÍNGUA PORTUGUESA!!!

História de um tal de João 
(Homenagem a Guimarães Rosa)

Pseudônimo: CAPITU

O João de quem falo é um João diferente,
inquieto, irreverente,
brincalhão com as palavras…
É o João do sertão, aquele que deixou o bisturi
a Diplomacia, o Itamarati,
montou cavalo e seguiu as trilhas do buriti!
Margeou o São Francisco
atravessou a nado o Urucuia
encontrou um bando de jagunços
contou muitas histórias nas rodas de prosa
ao lado de Riobaldo e Diadorim…
Brigou de faca e arma de fogo,
venceu o Liso do Sussuarão
descobriu mistérios em Diadorim,
identidade verdadeira,do jagunço Reinaldo,
Companheiro de tantas aventuras!
Na batalha final do Chapadão
lutou lado a lado com o inimigo
para vingar a morte de Joca Ramiro.
Sertão, ah sertão das Gerais…
Veredas e enigmas, sopro de brisa,
perplexidade natural redesenhando a vida!
Manuelzão, o amigo-peão,
inspirador dos “causos” da vida sertaneja.
O brilho do sol, a estrada, o pó,
a solidão diante da amplidão da terra…
Jagunço chefe, batizado Urutu Cruzeiro,
destemido, vestindo o seu nome de guerra,
Enfrenta com bravura o terrível Hermógenes.
Para seu espanto, Reinaldo é morto em emboscada!!!
Ao abrir-lhe as vestes surradas, cilada!
Encontra, à mostra, os belos seios de uma mulher,
que se escondia na rudeza do jagunço,
explicando todo o seu amor-mistério…
Épico, lírico, “nonada,
existe é o homem humano. Travessia.”
João foi um gênio encantado, foi um feiticeiro,
Prêmio maior para a literatura universal,
de origem nossa, mineiro-brasileiro.

Mulher

Pseudônimo: CAPITU

Desato o nó do avental, nada mal,
sou mulher com idéias em vendaval…
Deixo o fogão, a frigideira, a prisão,
saio na contramão fazendo a minha liberdade!
Num grito,num gesto, num manifesto
deixo de lado a casa, o pó, a servidão
sou agora um novo modelo em ascensão.
Utilizo cosméticos sofisticados,
em bom tom sou balzaquiana avançada,
ou ingênua, tímida, provinciana,
mulher doidivana conquistando mundos.
Sou cidadã, cortesã, discreta, concreta,
tenho Brazão de Portugal, sou prima do rei,
tenho até impressão digital.
Como o sexo oposto sou, superior e forte!
Piloto avião com as forças do meu coração,
sou atuante, executiva, participante.
Tomo cerveja, minh’alma sobeja,
divido o pão de mão em mão!
Batalho na linha de frente, posso até ser presidente.
Voto, tenho carta de motorista,
tenho visto em passaporte decidindo aminha sorte.
Assim, vôo para o sul, vôo também para o norte,
manobro na “gentil pátria amada” em missão partilhada
seguindo a força do meu tempo!
Mulher, afinal, ser ou não ser, querer e poder,
questão, resposta, solução proposta?
Encorajar, viver, criar asas, ser forte como o nascer…
Ser delicada amante, amada, submissão sem algemas,
ser sobretudo, mulher!

Minha amante, a palavra

Seduzir a palavra
Mergulhar na sua intimidade
Erotizá-la, escravizá-la,
Tratá-la com carinho
Numa guerra de hormônios febris
Em total ebulição…
Tomá-la brutal, desvirginá-la,
Fazer dela amante errante,
Na luta da conquista.
Em doces laços
Abraçá-la na delicadeza do carinho
Acaricia-la de leve… de mansinho…
Fazê-la brotar, estourar, explodir
No toque das mãos sensíveis…
Fazer dela parceira certeira
Tombá-la à força ao chão
Possuí-la entre gemidos e orgasmos fatais…
Viver momentos incríveis,
Chegar com ela à pequena morte
Fomentada de delirante paixão…
Deixá-la exausta, depois se servir dela,
Ao fim de incontáveis prazeres…
Nesse jogo, de envolvimento e de troco,
No clímax dos nossos sentimentos
O texto então, como mágica, nasce espontâneo…
Solto, passeia de mão em mão,
Levando paz, levando guerra,
Semeando idéias em grandes epopéias!
E a palavra que a vida lavra?
Prostrar-se diante dela,lívido, agradecido…
Fonte de amor, rainha da vida.
“No princípio era o verbo”…
E tudo se fez depois dela!

Páginas Matemáticas

Pseudônimo: Capitu

Páginas, numeradas páginas…
Uma aventura, uma história de amor…
Milhas nos separavam…
Imaginava você, na janela em ogiva,
Simetricamente à minha espera…
Um mapa, um sol brilhante,
Um roteiro maneiro
Horizontes a vazar!
Na abscissa positiva
Seus olhos mediam distâncias…
No enduro da vida,
Fracionado pela paixão,
Saí do conjunto unitário
Em que vivia subtraído,
E, somando esperanças,
Tomei um guidão, a ignição e a coragem,
Transpirando velocidade máxima!
Cilindradas arrojadas, pistas livres,
Emoções divididas…
Na proporção exata
De todos os meus sentimentos
Descobri você, equação,
Meu conjunto verdade,
Valor lógico para operacionalizar meus dias!
Cheguei de tão longa viagem!
Em propriedade associativa
Enunciei minha declaração de amor…
Permutamos nossas razões
Em progressão geométrica.
Viramos conjunto binário,
Com beijos multiplicados!

 Ponto de interrogação

Pseudônimo: CAPITU

Estou no ponto e
estou sempre pronto
para procurar, pesquisar,
descobrir, o meu ponto,
o tal, chamado ponto de apoio…
Abro o olho, arrepio,
escancaro o coração
acendo as luzes da alma.
Onde estará aquele ponto?
Aquele verdadeiro,
que eu procuro
o ano inteiro!
Quanto desencontro!
Afronto, confronto,
monto um esquema
para achar o ponto, o do meu equilíbrio,
aquele vertical que me faz crescer
e alcançar as estrelas…
Tonto, escrevo um conto,
alinhavo, passo o pesponto!
Encontro afinal
o ponto abissal
que me situa entre o bem e o mal…
Agarro o ponto de partida,
a coragem, a iniciativa,
a ignição da minha vida!
Saio por aí correndo,
transpirando velocidade,
a milhas e milhas por hora!
Volto, não durmo no ponto,
assino o ponto do dia,
(que correria!)
mas ainda há tempo
para as minhas fantasias,
o meu ponto fraco!!!

Temporalidade

Pseudônimo…………………………………………..

Escolho o papel
A inspiração e a tinta,
Escolho a palavra
Que minh’alma lavra
E pinço as cores do arco-íris…
Sou o braço do nadador
A vazar ondas em alto mar.
Escolho o tempo e o mistério
A vida e o pensamento…
Rumino o verso-incenso
Jogando a lança dourada
Em busca do homem de branco
Que me dará de beber
Da fonte de água pura
E me levará embora
Envolta em paz e brandura
Na hora sublime do meu silêncio…
Andarilho, transito em terras estranhas,
Esperando o dia do embarque.
Uma parte de mim dissolve-se
Na multidão que passa apressada.
A outra, isola-se no recanto do jardim,
Questionando o porquê das curvas da estrada,
Dos espinhos traiçoeiros e das farpas da dor…
A alma livre, com arte se reparte,
No esconderijo sagrado
Reservado para os deuses…
O poeta revela-se, andando sobre as águas.
E seu corpo em quietude,
Continua vida afora distribuindo oferendas!!!

Viagem

Pseudônimo: Capitu

Mala arrumada, sozinho,
Para enfrentar um novo caminho…
Para trás, o sertão, a seca!
Precisava sair, tomar novo rumo,
Tentar sustentar meus irmãos famintos
Mudando para uma nova cidade!
Juntei os poucos trapos que tinha
Fui para o Posto Esso da estrada
Esperar a carona combinada!
Tomei coragem! Enfrentei a vida!
Na boléia do Fenemê me ajeitei.
Desafio: o asfalto me esperava…
Levava a velha sanfona,
Bem maior que me pertencia…
Na cidade grande muito sofri,
Fiz de tudo, fui pro Mobral, a leitura aprendi…
Virei mundos! Hoje meus filhos são formados
Já não são pobre-coitados!
Um dia, a saudade apertou,
Fiz viagem de volta a terra.
Olhos compridos me esperavam…
Era minha mãe já velhinha e todos meus irmãos,
Criados com os recursos que mandei
E o trabalho pesado no roçado!
A casa, a terra irrigada, o açude, o gado,
Minha família me esperando com alegria,
Para a confraternização do Natal.
Se Jesus nasceu em Belém, nasce aqui também!
Deixei a casa, franzino, para tentar a sorte,
Hoje volto realizado, feliz por tanto ter ajudado!