Beatriz Cardoso

Sócia Correspondente 1103
Petrópolis – RJ – Brasil

Biografia:

Beatriz Soares Cardoso nascida em 12/08/1966, na cidade de Petrópolis, onde residiu até novembro de 1980 quando mudou-se para Areal. Nesta cidade surgiu, em 1985, a oportunidade de participar de uma seleção realizada pela Shogun Arte referente a uma Antologia Poética das Cidades Brasileiras, o poema Arco-Íris foi publicado na mencionada antologia em 1986.

Retornou para Petrópolis em 1990 e, em 1998, ingressei no curso de Letras da Universidade Católica de Petrópolis. Durante os quatro anos da graduação pode mergulhar no mundo das letras e aperfeiçoar a escrita, descobrindo o poder das palavras. Desde 2001 trabalha com assessoria de trabalhos acadêmicos, revisão, produção de textos e pesquisa para monografias, artigos, resenhas etc.

Em 2005 fez uma Especialização em Estudos Literários na Universidade Federal de Juiz de Fora e, em 2007, iniciou outra Pós-Graduação em Lingüística e Literaturas de Língua Portuguesa (em curso) na UCP.

Trabalhos

Caminhos

Por caminhos vários me venci
e me vencendo descobri
a trilha surda na qual ouvi a voz do silêncio.

No calar busquei sempre e mais
e por esse querer vacilei
e tanto que nem sei
se por pouco me cansei
ou se de lutar enfraqueci.

Adormeci em braços fracos
e embalei-me em cacos.
E os sonhos o caos formava
castelos negros, de altas torres
a precipícios fétidos e lutas sem fim…

E gritos ouvi e carnes feri, purguei por dores
e por horrores que nem sei ao certo se senti
ou se de sentir tanto, dei-lhes vida.
Uma vida de sonhos que me atormentam,
de sombras que me assombram.

Não sei as sombras que são
ou que quero que sejam,
talvez a dor de um desejo
de apenas viver.

Mas por outros caminhos também passei.
Bosques verdes cortados por águas mansas,
minha face, lavei-a nessa água.
Banhei meu corpo do suor da batalha,
deixei manchas de vida nesse rio.

E esse rio seguiu seu curso.
Eu, por outro lado, continuei
e por continuar outro rio encontrei
e em outras águas me lavei
e outras batalhas venci e árvores derrubei,
uma casa eu construi
e um futuro eu vislumbrei.

O peito aberto sangra lágrimas de vida.
É latente em meu ser a outra face
que se esconde por trás de cada árvore,
cada flor, cada gesto, cada esquina
e sempre.

A batalha me cansou,
me sinto mutilado
me dilacero a cada passo
e me desfaço num compasso.

Mais à frente, no caminho, me refaço
e busco em outro rio, uma vez mais,
meu curso seguir.

Os rios, ah estes são vastos,
tenho a terra toda para trilhar,
muitas águas para me refazer,
muitas flores a colher,
várias outras a plantar,
e tantas outras para, na lembrança,
guardar o perfume, o viço,
a suave textura, o ondular da brisa,
o sussurrar na relva, o suspirar da tarde,
o descansar do corpo
e outros sonhos a sonhar.

Beatriz
17/10/02.

Arco Íris

Acordei de manhã
Abri a janela
A chuva fina caía
E por detrás da montanha
O sol se abria
O arco-íris surgia.

Bem dentro do meu ser aparecia
Um sentimento maravilhoso, com sabor de vida
Ia crescendo, crescendo e resplandecia.

E o arco-íris continua,
A chuva pára
O sol nasce.
Eu acordo, penso e sinto que o
Arco-íris era um sonho.

Sonho chamado vida.
Sonho chamado liberdade.
Sonho que eu queria
Que fosse realidade.