Deia Leal

Sócia Correspondente 1123
Mariana – MG – Brasil

Biografia:

Déia Leal, nome artístico de, Andréia Aparecida Silva Donadon Leal, artista plástica, poeta, cronista e contista. Licenciada em Letras pela UFOP, Bacharel em Estudos Literários e Pós-graduada em Artes Visuais – Cultura & Criação. Natural de Itabira, MG, cresceu em Santa Bárbara – MG e atualmente reside em Mariana –MG. Diretora e ilustradora do Jornal Aldrava Cultural. Membro Correspondente das Academias de Letras: Rio – Cidade Maravilhosa, Academia Maceioense de Letras, Academia Cachoeirense de Letras; Membro Nacional da Academia de Letras do Brasil, Embaixadora Universal da Paz pelo Círculo Universal dos Embaixadores da Paz & Universal Peace Embassy (Genebra – Suíça) e Governadora do Instituto Brasileiro de Culturas Internacionais em Minas Gerais. Escreve contos, crônicas e poesias para o Jornal Aldrava Cultural desde 2002. Publicou o livro de Haicais “Nas Sendas de Bashô” em 2005 com a senda I – Quase! Publicação de Contos em Prosa Gerais – Antologia – Clesi – Ano 2006. Publicação de Poesias em “Poesias de Bolso” – Clesi – 2005, 2006 e 2008. Publicação de poemas e contos em Revistas Culturais Eletrônicas no Brasil, Chile, Espanha e Argentina. Publicação do Livro de Poesias “Cenário Noturno” em 2007. No prelo livro de Contos: “Flora: amor e demência”. Participou da Antologia ME 18 – 2008. Premiada em diversos concursos estaduais e nacionais de contos. 1º lugar no Concurso Nacional de Poesias “Prêmio Cataratas” – 2006 – Foz do Iguaçu – Paraná. Obra: Anjos da Terra. Participou de exposições coletivas internacionais representando Minas Gerais na Espanha, Itália, Áustria, Polônia, Alemanha, República Dominicana, China, Tailândia, França e individuais na Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade; Salão Nobre da Câmara Municipal de Santa Bárbara, Pinacoteca da Universidade Federal de Viçosa; Museu Alphonsus de Guimaraens e outras instituições culturais.
E-mail: deiadonadon@yahoo.com.br
deialeal@jornalaldrava.com.br
i.internacionaismg@yahoo.com.br

Trabalhos:

Portal de Afrodite

Minha voz de mulher, versos noturnos
conhece a gama
e
as vibrações sonoras de múltiplas vozes
arrancadas do fundo da alma.
Minha voz de mulher
reversos sombrios
irrompe as trevas do frio insano
ou das ondas de calor
que suam e despejam
desidratação do corpo.
Rompo barreiras
ressurjo das trevas
em toque tênue na cor lilás
sobre pontos escuros do amor,
para apor
múltiplas vozes que se emaranham
dentro do meu ser.
Minha voz de mulher
arma da garganta
brada ao mundo
:
– tristes palabras
si no hablan de amor.

Mistério do Tempo

mistério do tempo
mísero tempo
mingua tempo
no peso metálico
do corpo que se esvai
na efemer/idade da brisa
que vai
vai

v
a
i

a
i

i
a

Meu menino

Meu menino
está na ponta do céu
iluminando trilhas de caminho apagado.
Está no vento que sopra brisa
nos cabelos suados de mãe.
Está no sol que esquenta
ar frio em dias de inverno.
Está lá
aqui
acolá,
em todos
e
nenhum lugar.

Meu menino
têm cabelos
pretos, loiros, vermelhos
encaracolados feito cachos de anjos,
mas não têm asas
por que nunca vai voar…
Meu menino,
não sei onde está,
não sei se perdi por aí
ou se está vagando pelo mundo
feito alma perdida.

Meu menino
não chora de noite
não brinca comigo
nem lança olhar de amor pra mim.
Meu menino
nunca vai me pedir nada…
Meu menino não existe.

Ponta de caneta

Seguro o dia
com a ponta da caneta
e
acendo na noite
lanternas de estrelas.

***

Mitos Noturnos

No holocausto da mitológica noite
Folhas empurradas dos galhos das árvores
Rosas vermelhas, brancas e flores de seda
Se aventuram nos pingos finos de labaredas.

Deságuam olhos tempestuosos da musa de verão,
Sereia de melodia escondida em conchas de pérolas
Sonhos de prazer no assobio da navegadora
Largada, esquecida, despedaçada.

Cada canto perdido do oceano
Cantos foliados de afinação,
Cauda enroscada á espreita da embarcação
Fura furtivamente ondas turbulentas,
Homens, tesouro, expedição.

Lenta guerra eterna de hinos
Sedução lasciva de almas perdidas,
Centauros e dragões, duelo árduo,
Deusas indefesas e enlouquecidas
De despidos poderes divinos.

Cada canto mitológico do Olimpo
Estrondos desvairados de deuses
Dilacerados de morte nas minas de pó,
Pingos no chão de águas do rosto
Inundam cidades de sul a norte.

Porta do céu

Voei sob a imensidão nebulosa do céu
em corredor veloz da pista curva.
Insegura garupa impossível da moto-avião
faz piloto em grand prix
ladeando a Serra do Caraça.
Parecia carregar-me para cantar com anjos
acordes finos em disco voador de ouro,
Jesus Cristo a reger nosso dueto
e o mundo inteiro de platéia.
Desci, enfim, em nave de cristal:
atordoada na cabine já despressurizada,
a deslizar na estrada apagada pela bruma…
Segui a velocidade do vento,
ao lado passam velozes rejeitos e quaresmeiras
no alto um sol teimando vencer a bruma.
De repente à minha frente
surge piloto veloz em competição:
sem retrovisor tomba o olhar para trás,
zune em ziguezague desafiador,
acelera à frente e torna a tombar o olhar,
à frente acelera rompendo a bruma
e a moto-avião some nas nuvens brancas
em adeus ao mundo daqui.
Minha nave pára rente ao paredão de pedra.
O piloto batedor ressurge e sorri…
Reconheço o portal do céu.