Luiz Fernando Prôa

Sócio Correspondente 1052
Rio de Janeiro- RJ – Brasil

Biografia: 

Carioca, bacharel em Ciências Contábeis, fotógrafo, vídeo-maker, terapeuta holístico, poeta e escritor.
Está presente em várias antologias, jornais e sites de cultura. Participou com destaque em diversos concursos literários. Escreveu para três revistas de circulação nacional. Produtor e editor do site de cultura Alma de Poeta www.almadepoeta.com (desde 2000). Diretor do Sindicato dos Escritores do RJ (2001/2004). Tem dois livros de poesia editados: Alma de Poeta (1999), Retratos da Alma (2001) e outros três prontos para edição: Visões da Nova Era (crônica), Maria Helena, Aprendiz do Amor (romance)
e De Braços Abertos (poesia).

Trabalhos

Preferência

gosto de dar cara a tapa
expor o peito
não ter medo de fogueira

o que me faz a cabeça
é isso que na veia pulsa
a surpresa de quem vai à luta
e degusta a vida

não tenho medo de ridículo

pagar mico é risco

de quem busca o prazer

gosto mesmo é do imprevisto

da alma do momento vivo

viver é o ápice do vício

única droga que insisto

Ideal

tem gente
que é tão doce
que se mais fosse

era poesia

Inconfessável

têm coisas que soam em silêncio
que voam ao vento
que só nós sabemos

têm horas que a vida é senhora
nos pede o agora
sem arrependimento

cada um é refém do momento
ator de um roteiro
sem culpa ou querendo

só resta em certas horas
guardar segredo
até de nós mesmos

Mãos ao alto

como desligar o automático
quando no lábio o sorriso
é plástico

e cada palavra, mesmo sensata
não guarda emoção
é volátil

como voar sem ter asas
– essas que nascem dos sonhos –
quando o chão
é fato

e toda certeza é não tê-la
toda beleza é feia
e tudo parece
tão chato

não dá para desligar a tristeza
quando ela entra na veia
e nos toma
de assalto

Cárcere

cada dia
que passa
a sentença
minha alma
condenada
ao poema

Insone

sempre à noite
as sombras têm
mais cor
a falta
é mais dura
o silêncio
é um grito
de dor

e as pálpebras
gotejam cristais
urgências
desejos
sopro da alma
que rola na face
e lhe dá
um beijo

e insone
como as horas
nu de luzes
e certezas
bordo

um poema
e não
me culpo

sempre à noite
o querer é
voraz
o possível
é tardio
o grito
é silêncio
nada mais

Submerso

tem dias
que a tristeza
tem o peso
do universo

sinto-me
náufrago
preso
às correntes
que me cercam

queria o ar
como bálsamo
a meu peito
submerso

queria apenas
amar cada dia
dos dias
que me restam

De braços abertos

esse par de braços
que estendo
abraça o mundo
enquanto é tempo
sei que cada momento
é tudo o que tenho
e o agora tudo que existe

de braços abertos
me entrego
e abraço os amigos
enquanto os vejo
no recanto seguro
do que amo e sinto
a alma, espaço sem limites

mesmo quando estou triste
e o pranto é tanto
e a dor é toda
não sei como nem quanto
guardo nos braços um abrigo
me curo, me dando

esse é meu gesto
exponho o peito sem medo
sem dúvida, inteiro
e a quem queira
me entrego

Heróis de espelho

somos feitos
de tudo que nos cerca
de argila, madeira
poeira e pedra

somos palco
de uma peça
normais, humanos
loucos ou feras

somos aquilo
que não somos
artistas, retratos
heróis de espelho

somos nosso
maior receio
pior do que tudo
contágio do meio

mesmo que loucos
perdidos no verso
feiticeiros da vida
poema incerto

somos parte do todo
grãos de mistério
construtores do sonho
em busca do eterno