Mell Glitter

Sócia Correspondente 1128
São Paulo – SP – Brasil

Biografia:

Mell Glitter nasceu em São Paulo em 22 de março de 1969, onde vive até hoje. Sua primeira poesia surgiu entre os 7 e 8 anos de idade,assim que aprendeu a magia das letras.Tem um estilo bastante contemporâneo e único.Trancou a faculdade de Artes Plásticas em 1990 para ser mãe.Tem ainda a meta de formar-se em Letras, assim que encontrar disponibilidade de tempo com a criação dos filhos, que é sua maior prioridade atualmente.Mell Glitter é ariana e como tal, não consegue seguir a vida sem senti-la a pleno pulmões.Diz-se uma sonhadora de pés no chão, e ainda assim, voa!

Trabalhos

Tempo

Vem tempo!!
Vem suave, vem sem hora…
Deixa que eu pise no chão
sem ter pressa de ir embora.

Gosto de olhar à janela

Ver-te nas linhas da vida.
Marcar meus passos na estrada,
e sarar minhas feridas.

És senhor dos meus caminhos.
E me leva pelas mãos.
Se escorrego, me ampara,
que dói muito um tropeção.

Se teus ponteiros te apressam,
aquieta-te num canto.
Me deixa curtir a viagem,
que a vida é feita de encanto.

Se em tua bagagem tem pedras,
vamos andar devagar.
Não te quero ver cansado,
nem querer desanimar.

No rosto me deixa marcas
que contam a minha história.
Se a lembrança um dia faltar,
as rugas serão memória.

E quando chegar ao fim,
que é o destino de quem vive,
procure outra função,
que de ti estarei livre!

(Mell Glitter)

Download

Hoje eu vou virar poeira!
Vou voar por este mundo,
embalada pelos ventos
na rapidez dos segundos!

Vou conectar minha vida
no espaço sideral,
nas teclas do computador
deste mundo virtual!

Vou fazer o meu download
e excluir os meus problemas.
Arquivar todos os meus erros
numa pasta de dilemas!

E vou abraçar o mundo
do Oiapoque ao Chuí!
Vou estar no mundo inteiro
mesmo ainda estando aqui!

Feito poeira entrarei
sem medo de não enxergar no escuro!
Vou abrir todas as janelas
e invadir o obscuro!

Vou-me auto formatar,
pra não correr nenhum risco!
Mas deixarei os meus rastros
nas páginas dos teus arquivos!

(Mell Glitter)

Resquícios

Desculpe-me
se pareço não ter entendido
que tudo terminou.
É que a tristeza chegou,
e resolví saber, se em tí,
algum resquício de mim ficou!

(Mell Glitter)

O Adeus de um Poeta

Não escreverei nem mais uma linha!
Darei adeus à poesia.
Que fique gravado nos corações
esse tempo em que eu escrevia.

Vou cuidar da minha vida
com tantas páginas em branco.
Puxarei o freio de mão
antes de despencar do barranco.

E caso perguntem por mim,
diga apenas que parti!
Fui escrever na realidade
o que no poema omiti!

(Mell Glitter)

Meu Voô

Gosto quando o vento despenteia os meus cabelos e assobia em meus ouvidos.
A sensação que me toma é a de liberdade!
Por um momento, tenho o pressentimento de que se abrisse os braços, poderia voar!
E então, seria levada pra onde o vento soprasse.
E divagando, me pego sorrindo, meio que boba, ao lembrar que meu vôo mais alto, foi justamente o de manter os pés no chão!

(Mell Glitter)

Santinha do Pau oco

Menino,
não me olhes assim!
Não com esse seu sorriso!
Perigas eu perder a pose
e junto com ela o juízo!

Não vês que sou boa moça
e assim eu ruborizo?
Se eu perder as estribeiras
não é por falta de aviso!

Sou santinha do pau oco
e desde já eu profetizo:
-Se pecares em minha cama,
não me responsabilizo!

(Mell Glitter)

Livre para voar

Se me queres ver feliz,
deixa-me livre,
tal qual um passarinho!
De certo, minhas asinhas,
voarão mas voltarão
para o nosso sagrado ninho!

Mas se achares estranho
e minhas asinhas cortar,
no ninho me terás triste
e com vontade de voar!

(Mell Glitter)

Verso sem verso

Eu quis fazer poesia
com as rimas do coração.
Mas calou-se a voz no peito
e perdí a inspiração.

Zombou de mim o poema,
que não ficou terminado.
Deixei a rima sozinha
e a caneta de lado.

E na folha de papel,
ficou alí inacabado:
um verso interrompido
e um coração congelado!

(Mell Glitter)

Arrastão

Muito pirada com a vida,
perdida, sem direção.
Me botaram aqui no mundo
no meio de um arrastão!

Se corro, eu atropelo!
Se fico, passam por cima!
E a vida dando risada
enquanto que me azucrina!

Sabe lá, se é sina minha
essa rota sem destino!
Vou rezar pra Deus do céu
me tirar desse pepino!

Pois cansei de dar carona
pra desgraça em minhas costas!
Vou clamar pra que a vida
faça em mim suas apostas!

E se sorte eu tiver
vou chutar o pau da barraca!
Vou tratar de ser feliz
e dar muita gargalhada!

(Mell Glitter)

O Lápis de Deus

Perguntaram-me se eu era poeta
e eu não soube responder.
Seria eu um poeta
só por saber escrever?

Então peguei meu caminho
e confusa fui pensando.
Os pequenos detalhes da vida
na cabeça foram passando.

Olhei para o sol se pondo
e deslumbrou-me o seu esplendor.
Vi uma bela borboleta
se enamorando da flor.

Vi um cego que enxergava
com os olhos do coração.
Um mudo que se expressava
com o movimento da mão.

No trajeto eu pude ver
flores de todas as cores.
Uma grávida que bendizia
a chegada das suas dores.

A árvore que me fez sombra
ofereceu-me também seu fruto.
Eu vi uma alma ir ao céu
enquanto choravam seu luto.

Eu vi as águas do mar
tão azuis quanto o céu.
Eu vi o trabalho da abelha
do pólen fazendo o mel.

Eu vi um menino chorando
e as lágrimas o rosto lavar.
Depois vi um idoso ensinando
as lições que a vida dá.

De repente um pássaro voou
e na imensidão sumiu.
E o céu que estava tão cinza
por ora, então se abriu.

Então veio-me a resposta
que eu não soube responder:
-Sou apenas o lápis que Deus
se vale para escrever!

(Mell Glitter)