Moisés Abílio

Sócio Correspondente 1138
Pedreiras – MA – Brasil

Biografia:

Moisés Abílio Costa, atualmente reside o domiciliado na cidade de Pedreiras-MA, poeta, escritor, teatrólogo e agente cultural. Membro-fundador da AME – Associação Maranhense de Escritores, fundador do grupo de teatro ex-tensão, membro da APOESP. Associação de poetas e Escritores de Pedreiras e membro – fundador da Academia Pedreirense de Letras. Cadeira nº38 cujo patrono é Vicente Benigno.

Trabalhos

Arquiteto do ser

Acho a bala perdida
Na infância desnutrida
Onde o descaso é lida.
Arquiteto o mapa da fome
Que engole o homem,
Dados que consome.
Fabrico um novo ser
Sem ideal
Anti-social. Remédio letal.
Monto um homem
Sem face, sem nome
Com as sobras da fome.
Estabeleço regras
Aplico fórmulas
Estabeleço uma cadência, sem decência.
Na desnutrida infância
Mapeio a coordenada
Vitória assinalada, nada.
Bússola ao norte
Norteando a miséria
Querendo o querer.
Deleto a cria
Não soluciono a agonia
Durmo enquanto dia.
Na reengenharia social
Salvação. Reinvenção.

Outubro de 2007

Gravidez Precoce

Fertilidade
Fértil idade
Insensatez
Por sua vez,
Não diz, faz
O ventre explode
Sem controle
acerta
O alvo.
Bandido hoje
Presente
A criança de ontem
De pai ausente.
Cobra a conta
Juros acrescidos.
Juro. Fez falta.
Assistência

Zero.
Direitos
Só os tem
Que não tem.
E eu? Sensibilizado
Mudo de canal.

Nuances

Na penumbra do amor ao próximo
Á um primeiro gesto;
Que o próximo fique longe
O sentimento floresce
A ilusão de ser
Do ser, do querer
Nada é, esfumaça despedaçada
Pelo nefasto
Cerrar das oportunidades, esta sim
Realidade atroz
Grades são as
Consciências inconscientes
Que planejam
Uma sociedade justa
Na justeza real
Medida pelo
Valor de
Sua conta bancaria.
A mão férrea do pode…
Pode tudo.

Pintura moderna

Pintaram a cena
Eu sem tinta
Esquivei-me a tempo
Não participo
A violência
Estava viva
No meu dia
Onde está a luminosidade
Ou o lusco-fusco
Atrasou-a
– a greve de trens-
Não tem, não vem
E não deixou a noite chegar
Só me resta a conveniência
Opinativa de
Não usar
A tinta
Dá opinião.

Política

Sou, por quê?
Político, simples não é?
Na sua simplicidade
Sou o numero
Estatísticas não me definem
Por que sou
O que verdadeiramente
Não sou.
Sem definição
Antes
Ator
Entre dois palcos perdura a ilusão
Antes depois
Da na ção
Dar na nação
Pau na mão
Exemplo vivido
Danação.
Político, politiqueiro
Político de chiqueiro
(Nada contra os porcos).

Fotografia 3×4
A poesia em preto e branco

No flash que ilumina
Minha auréola, minha sina,
Traduzida em preto e branco
Luto a luta diária
Operário do suor
Busco o dom maior
Ser por Deus fotografado
Imagem digital
Quem sabe ser arquivado
No porta-retrato divulgo
O meu ser guilhotinado.
Serra acima eu trilho
Tua máquina
Teu brilho
Revelado em luz opaca
Que focaliza o meu espírito
Quatro paredes, quarto escuro.
Imagem sem pauta definida
Refletem o lado bom ou mal da vida
Na negra revelação que dita o coração
Negativo. O prisma e a ação
Fujo a galope da liberdade
Que me aprisiona no retângulo
3×4
Enquanto é dia
Transborda poesia
No primeiro raio de luz
Colorida em preto e branco.

Ray Santos mercador de ilusões (In memorium)

No palco de minha história
Fui protagonista
O teatro de revista
Revestia a minha arte
Artesão que fui
Do poeta fui à ponte
Da beira-mar a rima
Do Ribeirão o clima
Desratizei em um fato
Bradei em um ultimato
Ou Ray ou Ratos
Mambembe insubmisso
Pintei o sete
No setembro negro
Assessorei o grito
De um Ypiranga plácido
Habitei hereditárias
Capitanias de um
Feudo distante
Da abolição
Participei incólume
Tendo sido tudo
Na obscura ribalta
Mineiro e caçador
Vendedor de esmeraldas
Aleijei o Barroco
No sacro-santo longínquo
Perverti-me inconfidente
Mercarjandei vidas
Trilhei a veredas incertas
No café do ciclo
Circulei como mendigo
Sem um dândi superior
De Shakespeare fui autor
Na montagem sem enredo
Na luta de classe
Fui o medo
De Getúlio fui o anjo.
Sou Gregório e mato.
Entenda bem minha fala
Mais a ditadura cala
Exilado fui expulso
Do meu eu sem o crepúsculo
No meio da noite dia
O lusco-fusco
A escurecer o além vida
Na arte esta incompreendida
Busco origem fugida
A pureza irradia
O grito sem som
Busco na música o tom
Que rompe algoz
Na Cantilena, ainda hoje
Se ouve
Enfim sós.

Poemizando a retorica

Para meu amigo Paul Getty

Meta. É flecha
Guerreio e singro no sem fim
Do ex tenso mar
Somando, letras
Alinhavando silabas
Pro sigo, no horizonte
Antevendo, na sublime retórica
Tocando a harpa melódica, um Paul gettyante.
Alentando,
Cultura é importante
Em dó ré mi
Não dói o bastante
Arte, hasteando a bandeira
A arte segue… só segue
Se irmanada, soa
Na trovoada, pré faz a cisão
Poetiza a união, sim, sem razão
Mareada, se foi
Tensão onda lava e leva
Vai e vem
Dobrou o cabo
Rompeu a escotilha
E a arte fluiu.
Lavando as lavadeiras
Do crepúsculo
Reibeirando o Mearim.
Assinando crava a marca
Desagrava gravando
O labor.
E a poesia pura tremula
Nos varais.
A noite teceu,
Engolindo mais um dia.

Guarda-Chuva

O guarda, guarda a chuva
Guardando a chuva
O guarda se guarda. Se somos o guarda.
Que guarda.
Não falta água
Se o guarda guarda a chuva
E se somos um bom guarda
Não a desperdiçamos.
Se guardamos a água
A chuva chove, ah! água
Meio ambiente. Sente.
Se o guarda não é eficiente.
Em um apelo somente
A indecisão
Fecho ou abro
O guarda-chuva?
Guardachuva
Não fecha
Acumula. Mula
Somos!
Guarda ou mula.
Ciência do descaso
Consciências ao léu.
Guardar o guarda e a chuva
. È uma
Tragédia urbana
Sou ator principal
(Preciso fazer minha parte).

Cinco segundos… Eternos

Luz vermelha
Da disparada dor
Cotidiana
Emana
A carência
Sem referência
O sinal vai abrir
“tio, óia o chiclete”.
à bala na mão
não no peito
no trânsito louco
transita a fome
que sujeita o homem
o sinal ta fechado
o coração também
a esperança acelera
fugiu avenida a fora
buzina agita
o peito grita
o som não sai
a fome mastiga
e por aí vai
o vidro ta limpo
sou malabarista e brinco
“tio, me dá”.
cinco…
segundos de atenção ““.
quero quebrar
da algema o elo
evitar o duelo
saí vencedor
na batalha final
ser bem, não mal.
chiclete ofertado
trânsito parado
vidro fechado
fim anunciado
na troca de balas
com todo efeito
não mais na mão
agora no peito
ajoelho e deito.
O semáforo abriu.