Olegário Venceslau da Silva

Sócio Correspondente 1146
Chã Preta – AL – Brasil

Biografia:

OLEGÁRIO VENCESLAU DA SILVA, nascido aos 04 dias do mês de Abril de 1986, na cidade de Chã Preta/Alagoas.
Estudou na Escola Estadual Cel. Pedro Teixeira, onde cursou o primário. Concluiu o curso ginasial na Antiga Escola Cenecista Professora Amélia Vasconcelos e iniciou o ensino Médio na Escola Izidro Teixeira. Trabalhou como redator de um jornal local, denominado Portal Informativo. Foi Auxiliar do Serviço de Inspeção Federal(SIF), do Ministério da Agricultura,Pecuária e Abastecimento, foi conselheiro municipal de Saúde, aos 17 anos escreveu seu primeiro poema: Cor da Mortalha, em homenagem ao grande poeta ultra- romântico: Álvares de Azevedo,de quem aprendeu a amar a poesia. Atualmente é Acadêmico de Direito, da Faculdade de Cidade de Maceió( FACIMA).

Trabalhos

Aço frio de um punhal

Sinto a vida,de mim se esvanecer
Feito correnteza,esta pétala levar
Aos poucos escurecem lembranças deste ser
Aço frio de um punhal a me transpassar.

Embriagado por uma perene nostalgia
Não sei ao menos,onde e como chegar,
Atormentado jaz,nesta atroz agonia,
Aço frio de um punhal a me transpassar.

Na escuridão de trevas amortalhada
Do infecto labirinto, este corpo a repousar,
Exânime serpente de dores atormentada
Aço frio de um punhal a me transpassar.

Que o sangue,desta vil quimera
Sirva ao menos,para minha honra lavar,
E recaia por sobre facínora pantera
Deste punhal que outrora,me veio transpassar.

CHÃ PRETA/AL 09 DE SETEMBRO DE 2005

Tottus Tuss (Todo teu)

Para que a tua glória não feneça
E teu nome,perene ecoe
Dos teus filhos nenhum se esqueça,
O passado de luta que foi.

Das esplendorosas damas de outrora
Majestosa por entres as demais
Galgaste os píncaros da glória
Exaltada para sempre serás.

Jubilosa,Alagoas te carrega
Nos braços com ânsia imortal
Igual mãe,que ao filho não renega
Desta terra,sois orgulho e fanal.

Plantada aos pés desta terra serra
Feito cruz,ao peregrino guiar
Teus dias augusto se esmera
Em rara beleza singular.

Chã- Preta ,dos montes a princesa
Filha amada de uma terra dadivosa
Dentre todas és com certeza
Orgulho de tua mãe , Viçosa.

CHÃ – PRETA/AL 17 DE AGOSTO DE 2007

Laços de sangue

Quando eu morrer…
Não contem aos meus inimigos
Guardem em segredo ,
A notícia que a muitos alegraria
Nem flores, nem velas,nem pesares
Ofertem na minha atroz partida
Somente aos meus poucos amigos falem,
Que venham -me ver, nesta última despedida.

Só levo uma saudade,
É das insanas horas de meus febris delírios,
Feito holocausto do próprio martírio
Perseguido pelo fantasma de um homem cego,
Vou-me embora para terras ermas
Dos imundos bosques, lançado na lama
É a alma de um pobre, que na escuridão clama,
Ébrio do próprio ego.

Permitam que eu leve comigo
Para moradas do além esquecida,
Lembranças de outrora vividas
Que para sempre enterradas jazem,
Neste sombrio instante de êxtase
Meus desgostos, soluços e gritos
Ecoem para muito além do infinito,
Saudades que não voltam mais.

Chã Preta/AL 02 de Janeiro de 2005

Memórias de uma vida

Existem momentos que nunca serão apagados, pessoas que nunca serão esquecidas.A vida não vale um momento,mas há momentos que valem uma vida.

Sete anos são passados. Hoje imerso em saudades,relembramos com carinho,a figura imorredoura do patriarca de nossa família.José Venceslau de Oliveira,criou-se como todo filho de agricultor,identificando-se com os demais,cresceu sem preconceitos,arraigado aos costumes e tradições dos seus antepassados.Na vida de cada homem,herói ou santo,há manhãs de luz e noites carregadas de escuridão. Vovô soube equilibrar esses momentos,sem se abater com as trevas,nem se descontrolar diante dos êxitos.Com os pés no chão,soube tornar-se amigo e autêntico.No seu estabelecimento,o alpendre do mesmo era o seu auditório e,desta ribalta dialogava com os passantes,que subiam pra feira de Chã Preta.

Na cristalidade dos seus gestos tão fidalgos ,transbordava o manancial da sua generosidade,com a perfeição e amor.As intempéries da vida lhe bateram a porta.Os sofrimentos angustiaram o seu coração.As dificuldades da ordem de saúde,tolheram muitas vezes os seus passos cadenciados.A via da sua gloriosa existência que lhe cobria de flores,ficou muitas vezes salpicadas de espinhos perfurantes,que procuravam deter a marcha ascendente do seu triunfo.

Nunca deixou de ser um homem oriundo do campo, como fora seu venerando genitor.Os velhos engenhos Caçamba e São Pedro,atestaram por muito tempo o seu amor,pelas tradições mais queridas dos seus antepassados.Foi um homem alegre e feliz,porém acima de tudo um homem de fé.Creu em Deus,como creram seus avós.A morte o colheu repentinamente e o velho guerreiro tombou;como os vetustos jequitibás das florestas,da terra natal,aos 23 dias do mês de setembro de 2003.Já se foram sete anos,de seu passamento,porém sua memória continua viva na lembrança de todos que o conheceram e privaram de sua amizade.

A Chã Preta guarda avaramente, a recordação inapagável deste homem de bem,que honrou esta terra e sua família.
Quem amamos nunca morre ,apenas parte antes de nós.

Homenagem à memória de José Venceslau de Oliveira(1940-2003),pela suas Bodas de Diamante(70 anos) e 07 anos de seu falecimento.