Samuel Freitas de Oliveira

Sócio Correspondente 1132
Avaré – SP – Brasil

Biografia:

Membro efetivo das Academias AVBL, AVPB e AVSPE e pertence a vários Grupos e Comunidades, como Poetas Del Mundo, BrasilArtCultural, etc.

Livros publicados: RAIOS DE OTIMISMO, FRAGMENTOS D’ALMA, LUZES DE ESPERANÇA E FOLHAS DISPERSAS

Trabalhos

O TEMPO
Sá de Freitas

(Soneto escrito com apenas duas vogais: E e O)

Tens sempre medo e sentes o tormento
Bem de perto, com medo de perderes
O sossego… E sem mesmo perceberes,
Foges-me sempre, como foge o vento.

Medo tolo! Se tenho só o ensejo,
De percorrer-te o corpo portentoso,
Com encostos leves de extremoso gozo,
Vencendo-te de vez, pelo desejo.

Pelo medo, no tempo nós perdemos
O bom do tempo… E logo sofreremos
No tempo, do desgosto o desconforto.

Vem! Os momentos morrem, nós morremos,
E se perdermos tempo nem teremos,
Tempo de recompor o tempo morto.

ALCES TEU VÔO
Sá de Freitas

Minh’alma alces teu vôo com firmeza,
Nos confins misteriosos do Infinito…
Procures lá, tudo o que for bonito
Tudo que seja paz, seja beleza.
Traze-me um verso, puro igual criança;
Um verso que em si seja uma prece,
Para que eu dê aquele que padece,
Um pouco de conforto e de esperança.
Traze de lá, Minh’alma, a voz de um Anjo,
Pois eu, com a minha voz, já não abranjo,
Aquela paz que um coração reclama.
Quero trazer, ao desolado, o encanto;
Quero fazer sorrir quem vive em pranto;
Quero mostrar o amor a quem não ama.
DEPOIS DA TEMPESTADE
Sá de Freitas

Sem mais nuvens o sol volta radiante,
A ignorar a tempestade ida…
E a gente, em cada canto, sente a vida,
Torna-se mais alegre e mais vibrante.

E vendo tudo isso… num instante
Sinto que se a existência for sofrida,
Pode ter sua dor toda vencida,
Se o coração, de amor, for transbordante.

Na vida as tempestades vêm e passam,
Mas com esperança os seres não fracassam,
Ante a fúria do vento a enfrentar.

E por mais que as dores sejam intensas ,
Lembremos-nos que além das nuvens densas,
O amor de Deus não cessa de brilhar.

ESPUMA FLUTUANDO
Sá de Freitas

No copo sobe a espuma da cerveja…
À mesa eu vou, sozinho, comparando,
Minha vida com a espuma flutuando,
E peço que o que vejo, ninguém veja.

E ali à sós, sentado, eu lembro tudo…
E fico a imaginar tua ” não ausência”,
Mas nada vejo além da transparência,
De um copo frio, amorfo, cego e mudo.

Depois de um tempo é que a espuma some,
Mas a dor, no meu peito, faz-se enorme,
E o pranto rola pelo rosto meu.

Porque senti que o nosso amor, tão lindo,
Qual a cerveja, um dia foi sumindo,
E como a espuma desapareceu.

O VALOR DO TEMPO
Sá de Freitas

Quem faz do tempo um passatempo fútil,
Sem dar ao tempo o seu valor devido,
Há de chorar, com o tempo, arrependido,
Por ter perdido tempo em vida inútil.

Por pouco tempo o tempo nos foi dado,
Para que, nele, tempo não percamos,
Parando tempo em planos que sonhamos,
Sem nada, em tempo, termos realizado.

O tempo corre e esvai-se qual fumaça,
E é bom saber usá-lo antes que acabe,
Pois não retorna mais depois que passa.

E quem o tempo seu usar não quis,
Há de de se arrepender porque bem sabe
Que no tempo deixou de ser feliz.

O QUE É SAUDADE?
Sá de Freitas

Saudade é a presença de uma ausência;
É a ausência total de uma presença;
É a permanência de uma impermanência;
É o real “não real” do que se pensa.

Saudade é alguém distante que está perto;
Que se foi para longe e está presente;
Que sem tocar, nós vemos por completo,
A caminhar com nitidez, na mente.

Saudade é algo triste sem ser triste;
É fel que um certo doce nos transmite;
É gostoso punhal em seu ferir.

Saudade é uma dor ( não dor à-toa):
Quanto mais dói, a gente quer que doa;
Quanto mais fere, a gente a quer sentir.

COMO FOI CRIADA A MULHER
Sá de Freitas

Deus fez o mundo e ainda não contente,
Com todas as grandezas que criara…
Nem com as flores de beleza rara,
Nem com a luz do sol resplandecente…

Achou por bem criar algo divino,
Que trouxesse paixão, luz e beleza
Ao homem, que perdia-se em tristeza,
Em solidão, em dor e desatino.

Tinha que ser a criação mais pura
De um ser sublime e cheio de ternura,
Que fosse o “tudo” que o homem quer.

Então copiou de um Anjo- a formosura;
Das Ninfas celestiais – tirou a doçura-
E a essa criação chamou: MULHER.

MARCAS DO TEMPO NA MULHER
Sá de Freitas

Marcas que o tempo deixa-lhe no rosto,
São provas da mulher ( que é MULHER)
De que venceu, sem titubear sequer,
A dor, o pranto, a mágoa e o desgosto.
E cada marca, em si, bem nos revela,
Que o tempo vai, mas deixa-lhe beleza
No coração, na alma e traz nobreza
Que a faz, na vida, cada vez mais bela.
Marcas do tempo na mulher, demonstram,
Graciosas linhas que atraem e encantam,
E mostram-nos grandezas infinitas.
Não lhe desfaz o tempo a formosura,
Pois se do rosto tira-lhe a frescura,
Deixa marcas de amor… bem mais bonitas.

A TUA AUSÊNCIA
Sá de Freitas

Já deixei de abraçar a tua ausência
Com veemência, pois sofri bastante
Quando partiste… Mas do teu semblante
Nem por instante imploro a permanência.

Já tentaste voltar com insistência,
Alegando inocência a cada instante,
Como se eu fosse qualquer tolo amante,
Que, mendicante, ia pedir clemência.

Pensas que, sem repouso, as noites passo,
Sob o cansaço de uma espera inútil,
Por tão fútil mulher de brio escasso?

Te enganas… pois enquanto tu partias,
Chegavam-me alegrias e mais útil,
Fez-se-me a vida no correr dos dias.

COMO ENCONTRO A FORÇA DA VIDA
Sá de Freitas
Avaré-SP

Nas horas calmas que compõem minha vida,
Sinto, do Céu, a paz aqui na Terra…
Vejo o quanto de bom o mundo encerra
E quanta coisa bonita à ser vivida.

E nos meus dias de adversidade,
Procuro dessipar minha tristeza,
Trazendo ao feio cores de beleza,
Para lenir a dor que me invade.

Porque a vida é assim: dá tantas voltas:
Ninguém foge da dor e do desgosto,
Por isso eu sofro tudo sem revoltas.

Minha vida é linda sim, mas nesse encanto,
Num dia o riso vem, me alegra o rosto,
No outro o rosto meu se banha em pranto.

DOIS EM UM
Sá de Freitas

Teu olhar traz-me a mansidão de um riacho
E as profundezas do Oceano;
Os mistérios do Espaço
E a transparência do cristal.

A tepidez dos teus lábios,
Sopra-me um hálito gostoso,
Como a brisa a chegar da mata,
Com sabor de mel
E perfume de flores.

Na serenidade do teu sorriso,
Perco-me e me reencontro,
Porque nele parece que escuto
O falar do silêncio
E o dizer do nada, revelando-me tudo.

No invisível do que existe, além do visível,
Pressinto o ruido dos teus pés,
Acompanhando-me os passos,
Na rua da tua ausência.

Tudo o que és, meu íntimo sabe
E o que não és, meu coração sonha.
No “não dizer” da tua boca,
Compreendo o incompreendido,
Porque a metade do teu “eu”
Completa-se no meu.

Busques-me no teu íntimo e me encontrarás,
Como te encontro nas fibras do meu ser…
Pois somos duas almas em um só corpo;
Dois corpos em uma só alma;
Dois corações em um só peito,
Que não cessam de bater
Cheios de amor.

MAR DE SOLIDÃO
Sá de Freitas

Já fui barco à deriva em mar bravio,
Sem um sopro de vento sobre as velas…
Padeci, muitas vezes, em procelas,
Capazes de afundar qualquer navio.

Mas da fé fiz um remo improvisado,
Fui navegando em ondas de esperança,
Para encontrar repouso e segurança,
Ao coração já triste e tão cansado.

Precisava eu achar Porto seguro,
Um Farol que tirasse-me do escuro…
Precisava soerguer-me dos fracassos.

E aí aportei-me à praia da saudade,
Joguei ao mar o orgulho e a vaidade,
E retornei feliz para teus braços.

SABER SONHAR
Sá de Freitas

Neste sonho em querer o impossível,
Neste ousado mentir da nossa mente,
O devaneio vem e envolve a gente
E a ansiedade se nos faz visível.

Nunca devemos crer no incredível,
Nem sonhar em alcançar o iludente,
Porque só se realiza o que é coerente…
Então porque sofrer com o inatingível?

Trazem tais sonhos quase sempre a dor,
Se vão girando em torno de um amor
Por alguém, que por nós é indiferente.

Saiba sonhar, é necessário o sonho,
Pois com ele o existir faz-se risonho;
Sem ele a gente morre lentamente.

Diálogo entre a Terra e uma estrela
Sá de Freitas

E a Terra perguntou com ironia:
“–Quem é você, estrela cintilante,
Que, aí no Espaço, sente-se importante,
Se nem consegue ver a luz do dia?”

A estrela a inquiriu: “–Você o que é,
Além de um Globo de pesares, dores…
Onde há doenças, guerras e tremores;
Onde cresce a descrença e morre a fé?”

“Ah! -disse a Terra- sei que nas alturas,
Não há paisagens, mar, nem criaturas…
O que de bom pode existir aí ?”

Mas remata a estrela calma e mansa:
” – Aqui onde me encontro há esperança,
ÀS ALMAS QUE LIBERTAM-SE DAÍ”

SE ISSO ACONTECER-I
Sá de Freitas

Se eu sentir minha esperança morta;
E se a crença que tenho for perdida;
Se eu me revoltar com a própria vida,
E achar que meu viver já não importa;

Se vier-me a ganância incontrolada,
Se o amor então fizer-se-me impossível,
Se o coração tornar-se-me insensível
À dor alheia, eu não serei mais nada.

E se em mim, do bem ,houver ausência,
Não passarei de um simples réu confesso
No Tribunal da própria consciência.

Mas se eu encher de amor os dias meus,
Seguirei sempre em busca do progresso,
Vencendo o Espaço em direção a Deus.