Silvia Aparecida

Sócia Correspondente 582
São José – SC – Brasil

Biografia:

Silvia Aparecida Rodrigues Medeiros Luiz, nascida na cidade de Lages/SC, escreve poemas desde os 12 anos, tem poemas seus publicados em jornais e sites literários, bem como participações em algumas Antologias é Membro Correspondente da Academia Brasileira de Poesia Casa de Raul de Leoni desde 1987. Encara a poesia com uma oração de agradecimento direcionada ao criador.

Trabalhos

Sofro

Te confesso que sofro,
mais não sei por que não,
mas angustias do meu quarto
sofro sem mesmo perceber,
não te disse que sofro,
mais finjo,
para você não perceber
quando te falo do sofrimento,
te digo para não sofrer.
Se o sofrimento me dissesse
se gosto dele sim ou não,
lhe diria em uma resposta
firme e curta,
lhe direi não sei não.

Instante Noturno

O dia se finda
sensações diferentes invadem-me.

Não sei se é saudade.
Não sei se é solidão.
Não sei se é falta de algo
que sinto é que não posso ter,
só sei que a noite
invade rapidamente o meu ser.

Quero preencher meus
pensamentos com algo,
vem-me à tona amores
do passado, sensações, alegrias de outrora,
sem perceber uma lágrima quente
rola do meu rosto frio,
a brisa que vem de fora
gela o meu rosto,
gela-me por dentro.

Vejo o meu retrato
na sala, meu sorriso está congelado.

Volto a pensar em nada…
Mais preciso preencher meus
pensamentos
com algo!
Caio em mim.

Penso no tempo que perdi,
querendo voltar ao passado.

Eu me perdi e nele me perdi.
Fatos passados e mal passados,
não irão jamais reconstruir
minha vida.

Isto que devo infundir
em minha mente.

Cristais

São lágrimas da lua.
A sinfonia dos anjos eternizada.
Uma partícula minúscula,
congelada deste imenso universo.
Seguro contra o meu peito
o cristal,
com a esperança de ter
um pedacinho da presença
de Deus em minhas mãos
em minha vida.

Instante Vespertino

Tudo está normal
mais não para mim.
Será que estou no lugar certo.
Com as pessoas certas,
no planeta certo?

Faço viagens interiores profundas,
tudo é estranho para os meus
olhos que estão
em busca de um foco
de algo que me faça parar.

Olho para o relógio
ele parou, aquela hora registrada
ficou inerte,
tento dar corda no relógio,
ele reage, pergunto para alguém
as horas e ajusto o meu relógio,
espanto-me ao saber
que horas reais são.

Uma força me impulsiona,
sou arremessada á realidade.

Lágrima

Se fosse possível
congelar uma lágrima
encontraríamos dentro
dela todos os sentimentos
mais lindos e nobres do mundo.

Instante Matutino.

Ainda trago reminiscências
da noite mal dormida,
de um sonho confuso.
Será que esqueci de me
entregar as meditações antes
do sono me dominar,
por completo?
Será que foi isso?
Não me sinto bem,
uma angústia me envolve,
faz-me pensar em coisas desconexas.

Quem sabe uma água fria no rosto
me traga a normalidade.
Que nada, a água escorre
pelo meu rosto e não consegui
retirar-me desta complicada realidade.

Tomo uma xícara de café
desliza como uma bomba interiormente.

Preciso sair desta situação.
Preciso retornar urgente a realidade.

As horas estão passando,
eis que me lembro,
vou telefonar te pedir desculpas
pelo mal entendido de ontem.

A paz volta a instalar-se
no meu ser.