Tadeu Paulo

Sócio Correspondente 1127
Brasília – DF – Brasil

Biografia:

Nasceu na cidade do Rio de Janeiro, na era do Rio boêmio e da malandragem sem maldades. Estudou música e piano erudito até os 17 anos. Desde muito cedo, também, enveredou pelo caminho das letras, dedicando-se, primeiro à poesia e depois à crônica, ao conto, ao romance, entre outras modalidades.
Formado em Direito participou de diversos concursos literários, os dois últimos em 2006, quando venceu o concurso nacional de poesia, sob o tema À Flor da Pele, realizado e patrocinado pelo site da poeta gaúcha Soninha Porto; e, em 1985, também venceu o Primeiro Concurso de Literatura do TST, tendo chegado ao 1º lugar em duas modalidades: Crônicas e Poesias.

Trabalhos

POEMA DE MINHA VIDA…

Minha alma viajou;
voou triste de mim;
ganhou caminhos;
ultrapassou fronteiras;
passeou nos confins;
venceu escuridão,
visão e luz,
embargados em tantos
encontros de quimeras,
perdidos em estações
e esperas de vagões
aconchegantes, mas vazios;

não quero embarcar
sem rota e destino,
no último dos trens,
nem na derradeira
e mais triste das jornadas…
vou descer na estação Felicidade
e vou correr, desafiando o vento…
e de braços abertos
e olhos espertos, vou correr
para o ponto onde você estiver…
e com alegria, chorando,
eu e minha alma vamos correr,
de braços abertos, sim,
mas para parar de sonhar,
e correr, sentir, voar, sorrir, viver
só pelo prazer do encontro,
e nesse primeiro e definitivo encontro,
finalmente abraçar e me juntar a você..

(Tadeu Paulo)

COMO NASCE A POESIA. . .

Lamber as letras
com a curiosidade
dos zangões;
criar imagens
iluminar paisagens
com a sabedoria
e a dúvida dos senões;
fertilizar palavras
vertê-las em versos
dar luz a verbos
e vida a orações;
assim é o poeta
em sua lida – solitário —
capaz de pintar o Céu
da cor dos olhos
de sua amada
e de colocar diante dela
na calçada em que ela pisa
o infinito inteiro a seus pés!

(Tadeu Paulo)

ESCRAVO DE MIM; ESCRAVO DE VOCÊ!

Se eu pudesse
um dia me entender;
ou fugir de mim,
ou me fingir personagem
de meus próprios poemas,
e deitar a minha dor
num papel especial
— fino, frisante –
e consolar o sentimento
triste de um estranho,
desconhecido do meu eu,
de minha história
e de minha vida…
que bom seria
pra animar meu tempo,
afastar os meus lamentos
e brindar o instante;
mas sou cativo do amor,
das memórias e da carne…
que marcam, queimam e clamam
e sofrem e se entregam
e assim, continuo sendo
personagem de mim mesmo
prisioneiro desse louco amor
escravo de mim;
escravo de você !

(Tadeu Paulo)

VOCÊ, MINHA FOME DE AMAR!

Se me falas
de tristeza,
te dou a alegria
de te amar;
se me dizes
de tuas lágrimas,
te ofereço o sorriso
de meus versos;
se me contas
de tua dor,
venha até mim,
que te dou o prazer;
te dou todo o meu amor;
a felicidade de beijos;
a satisfação de desejos;
a rima em tua língua;
o carinho em teu corpo;
a Lua a teus pés…
uma noite de amar…
um momento
de não esquecer!

(Tadeu Paulo)

A CONSPIRAÇÃO. . .

Não vou esperar
que o destino bata
à porta e faça
o milagre;
vou conspirar, sim;
e vou fazê-lo muito
e tanto, todos os dias;
conspirar contra o tempo;
conspirar contra
quem conspire
contra nossos sonhos;
até que entre nós
e todo o resto,
só existamos nós;
sem espaço
para mais nada…
nem para um
mísero respiro!

(Tadeu Paulo)

MUNDO QUE TE QUERO…

Quem pariu
o latim de
“pari passu”(?);
quem sorriu
pra mim(?);
quem tem
saúde de ferro
e nervos de aço(?);
o que é ser homem(?);
o que…, lobisomem(?);
quem é coragem
e quem é fracasso(?);
o que é sofrível…
o que é ser fiasco(?)…
no Céu um Sol incrível,
cozinhando calor
e mormaço…
quem compreende
o que penso
e quem entende
o que faço ?
Se é assim
que esse mundo
me trata,
é assim
que com ele
eu brinco,
pois é mesmo assim
que esse mundo
eu passo !

(Tadeu Paulo)

Poemeto da Tristeza

Faço da tristeza
minha busca
pelo encanto;
da amargura,
o encontro
de meu canto;
da solidão,
o meu
melhor momento;
das palavras,
a expressão de
meus sentimentos;
e assim, escolho
e recolho temas…
e faço de cada dia
a alegria de compor
tristes poemas!

(Tadeu Paulo)

Sentindo o Gosto da Saudade

Fluiu dos olhos,
(úmidos e molhados olhos)
riscou o seu caminho,
no rosto em desalinho,
e pendeu do queixo
por alguns momentos;
outros lábios, no entanto,
sorvendo teus sentimentos,
furtaram-na de tua face
para te dar
a alegria de beijos…
fazer-te esquecer
as saudades
e provar daquela lágrima,
— agora na língua —
o sabor de tua tristeza!

(Tadeu Paulo)

INFINITO AMANTE

Deixa-me enroscar
em palavras
algemá-las em mim
senti-las escravas
e ser escravo-amante
de meus próprios versos
deixa-me
acariciar as rimas
como acaricio as flores
beijar teus olhos
como beijo as lembranças
e se houver choro
deixa-me beber tuas lágrimas
e tocar em ti
como tocava ao piano
deixa-me reclamar
tua saudade
como a presença
que reclamo
dormir sem ti ao meu lado
mas acordar tocado
cheio d’esperanças!

(Tadeu Paulo)

BENEDICTA

Bendita seja a tua hora,
agora e amanhã eterna;
bendita a tua presença,
a tua graça, a tua alma;
benditos os teus passos,
incontidos de toda
e tanta paz;
benditos esses teus braços,
acolhedores e aconchegantes;
bendito seja teu coração,
imenso e generoso;
bendita seja o tu,
em ti mesma,
mulher, pensamento,
poesia e oração;
benditos sejam meus olhos,
que te vêem na claridade de
todos os dias e te percebem
no brilho de todas as noites;
bendita seja, por fim,
a nossa hora, assim como a tua,
agora e amanhã eterna !

(Tadeu Paulo)

DE RUAS E SAUDADES. . .

Na rua vazia,
vadia a solidão caminha
— nua —
e no meu peito
uma dor crua
— sombria —
me lembra o medo
de uma ausência:
a tua!

(Tadeu Paulo)

DELÍRIO…

E te vi então à-toa
numa roupa branca
transparente…
mostrando o que
mais tens de amor
e amar pra gente
e me beijar a testa
e me acordar mansamente

E me vi em meio
a esse mar e orei temente
em substrato
de sóis em sustenidos
surdamente te ouvi
em teus gemidos
loucos, murmurantes…
bemóis de fogo
jogo, fuga
lágrima leve
livre’indigente

(Tadeu Paulo)

Pentagrama

Eu, só, cismo;
Eu sofismo;
Sofro, sangro e supero…

À dor me crismo,
Na cor escura
Do escarpado abismo.

A brancura impura,
Esse pecado, eu quero!

O meu grito só ecoa aflito
No aflito flerte
Do meu grito
Com o toque doce e reto
Do meu túmulo

Pois na rima rica
Desse rito,
Que me verga
E que me veste
Desse mito,
Sinto o acre
E ácido acúmulo
Em que me fito!

(Tadeu Paulo)

AMOR EM ABSTRATO. . .

Quanto tempo faz
passaram o rio
e o sorriso (?)
quanta cor
se fez
na concretude
dos abraços (?)
quais traços ficaram,
quais dos laços
tanto apertaram (?)
eu me vi
e sempre me vejo
nos arpejos e harmonias;
tônicas manias
de sons em tons
de meus sonhos;
o tempo passa
e de nós
leva pedaços;
somos uma sombra
alegre e despercebida
que voa leve e vai
sob o Céu… e não cai
em seus escuros
e nebulosos espaços…

(Tadeu Paulo)

NAVEGAR. . . É SEMPRE PRECISO!

Hoje sou delírio…
tormento que navega
em mar aberto
e que me abriga
em pensamentos…

sou sombra e solidão
entre Céu e mar
num horizonte sem alcance
sou a dor latejante
que humilha a dor passante
e que de tal e tanto ponto
me rouba até o pensamento..

pálido e transparente
sinto a aura do vento me tocar
e me transporto ao passado
de histórias e saudades
de bom (?), a luz da lua
em seu doce beijo de prata…

e continuo a viagem
nos braços atlânticos desse mar..
pra que em algum canto
tristeza e solidão
desembarquem do meu peito,
para nele embarcar o teu sorriso

por isso, vou navegar, sim,
porque navegar de amor,
amor… é sempre preciso!

(Tadeu Paulo)

P E N I T Ê N C I A.. .

aguardo que o Sol se ponha;
que o Céu então escurecendo
ganhe a cor da Lua cheia;
que estrelas pontilhem
em cada milímetro de meus olhos;
que renasçam as lembranças,
todas elas, de todos os dias;
que a saudade, ela sempre,
chegue de mansinho, e
na alma me faça um carinho;
no coração traga a dor,
a mesma a dor gostosa de sempre;
que eu chore como choro
com o choro apaixonado
de todos os dias,
mas que continue te sentindo
viva em mim, todas as noites,
em meus sonhos e suspiros;
pois só tua presença,
ainda que longe e ausente,
deixa pra mim a noite
com gosto de um amanhã
de manhãs claras, brilhantes…
enfim, com jeito de você!

(Tadeu Paulo)

LUZ NEGRA. . .

E a luz negra e “narcísea”
roubou a cor das retinas,
espectrou corpos e almas,
orvalhou nos cabelos…
e molhou suspiros…
e furtou o gosto de hortelãs;
da taça escorre o vinho deitado;
no pensamento a embriaguez;
na alma o silêncio meditante,
iluminando dias e desejos,
e tocando o Sol aos beijos,
mas violando tantos sonos…
replicando luz e loucura;
ascendendo, enfim,
à chama que acorda… enquanto
um Sol se põe e outro nasce…
um brilho interminante…
farsa intermitente…
e da força fez-se um verso
com a nobreza do Sol noturno
que sai e se desfaz
no rito iluminante das manhãs!

(Tadeu Paulo)

VERSOS IMORTAIS!

O princípio e o fim
estão dentro de mim
porque nasço e morro
todos os dias de minha vida
o princípio e o fim
talvez estejam logo ali
numa caixinha de rapé
num presente de marfim
o princípio e o fim
um infinito imortal, sim..
uma poesia de amor
um cheiro gostoso de flor
um poeta de esperanças
o poeta que há dentro de mim !

(Tadeu Paulo)

SOU MEUS POEMAS!

Desconfiado
do tempo
às vezes penso
que é exatamente
no fim do mundo
que se inicia
o começo de mim
o nascimento da
alma de todos
os meus versos
o surgimento dos
versos de minha
alma inteira
travestida de poeta
drama e poesia
então sorrio
do fim de mim
porque não serei
o fim de tudo
mas o inicio pontual
de cada um de
meus parcos poemas !

(Tadeu Paulo)